Netanyahu prevê retomar negociações com palestinos em dois meses

Por Allyn Fisher-Ilan TEL AVIV (Reuters) - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não espera avanços na reunião desta semana com um enviado do governo norte-americano, mas prevê que as negociações com os palestinos possam ser retomadas em dois meses, disse um porta-voz nesta segunda-feira.

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O premiê direitista, no poder desde março, resiste à pressão ocidental para congelar a expansão dos assentamentos judaicos em territórios palestinos. A disputa provoca uma rara divergência entre Israel e seu maior aliado, os EUA.

Falando antes de uma visita de Netanyahu a Londres, na qual ele deve encontrar o enviado da Casa Branca para questões do Oriente Médio, George Mitchell, o porta-voz israelense Nir Hefetz disse a jornalistas: "O primeiro-ministro espera que haja um certo grau de progresso, mas nenhum avanço notável é esperado."

De acordo com Hefetz, Netanyahu irá deixar claro que Israel pretende "atender às necessidades normais" dos colonos, "junto com um processo político a ser lançado num prazo de dois meses."

Nessa viagem, Netanyahu deve conversar com os primeiros-ministros Gordon Brown (Grã-Bretanha) e Ângela Merkel (Alemanha), que também são críticos à política de Israel para os assentamentos.

A imprensa especula que poderia haver uma reunião entre Netanyahu e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, sob a supervisão do presidente dos EUA, Barack Obama, durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro.

Abbas condiciona a retomada do processo de paz com Israel, suspensa desde dezembro, à paralisação das obras nos assentamentos.

Cerca de meio milhão de judeus vive na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, territórios capturados por Israel em 1967 e reivindicados pelos palestinos como parte de seu futuro Estado. A Corte Mundial considera os assentamentos ilegais.

A imprensa israelense sugere que continua havendo uma profunda divisão entre Israel e Washington. Netanyahu se mostra disposto a congelar a ampliação dos assentamentos durante seis meses, mas sem afetar projetos já em andamento. Já os EUA querem uma suspensão de pelo menos dois anos.

Netanyahu também busca garantias norte-americanas de que um eventual acordo em torno dos assentamentos seria acompanhado por medidas dos países árabes no sentido de normalizar suas relações com o Estado judeu.

"O primeiro-ministro não concordou com nada, e não sei se irá concordar," disse a ministra israelense da Cultura, Limor Livnat, quando questionada por uma rádio sobre as iniciativas dos EUA.

Mas ela admitiu que as negociações do premiê podem levar a um acordo "por um período (que limite) o lançamento de novos projetos de construção."

(Reportagem de Allyn Fisher-Ilan)

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