Netanyahu pede moderação aos colonos com fim da moratória

Já os colonos ameaçam o diálogo israelense-palestinos a algumas horas do fim da moratória para construção de assentamentos

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Colonos israeleneses comemoram o início de uma obra numa demonstração de apoio à construção de assentamentos
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, pediu neste domingo aos colonos judeus que atuem com moderação depois do fim da moratória para construção de assentamentos. "O primeiro-ministro faz um chamado a todos os residentes da Judeia e Samaria (Cisjordânia) e aos partidos políticos que adotem moderação e responsabilidade hoje e no futuro, exatamente como exibiram moderação e responsabilidade durante os meses da moratória", afirmou um comunicado oficial.

A declaração foi dada horas antes de uma cerimônia para a colocação da primeira pedra em um assentamento da Cisjordânia para marcar o fim de dez meses de uma moratória parcial para a construção de novas casas. Netanyahu tem dito que a moratória não será ampliada.

Abbas

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, reafirmou na noite deste domingo, em Paris, que as negociações de paz entre palestinos e israelenses serão uma "perda de tempo" se Israel retomar a colonização nos territórios ocupados. "Se Israel não prorrogar a moratória sobre a colonização, o processo de paz será uma perda de tempo", declarou Abbas ao final de um encontro com representantes da comunidade judaica da França.

O presidente palestino havia anunciado, pouco antes, que a Liga Árabe se reunirá por iniciativa dele, em 4 de outubro, para analisar a continuidade das negociações de paz, ameaçadas pelo fim da moratória israelense.

"Expusemos aos membros do comitê de acompanhamento árabe os intensos esforços americanos mobilizados nas negociações", disse Abbas à AFP no avião que o levou de Nova York a Paris.

"O comitê central do Fatah, a direção palestina e o Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina vão se reunir para analisar a manutenção das negociações".

Abbas se reunirá, na segunda-feira, com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e com o premier, François Fillon.

A comunidade internacional, inclusive a França, exortou Israel a prorrogar a moratória de novas construções nas colônias, que expira este domingo e cujo prolongamento é exigido pelos negociadores palestinos para prosseguir com as negociações e paz.

Colonos 

Os colonos israelenses estão dispostos a voltar a construir na Cisjordânia quando expirar, à meia-noite deste domingo, a moratória parcial que proíbe fazê-lo, enquanto no campo diplomático se busca uma saída de última hora que permita salvar as negociações de paz israelenses-palestinas.

Os colonos garantem ter mobilizado dezenas de escadeiras, com o firme propósito de recomeçar as obras na noite deste domingo.

Em uma colônia da Cisjordânia ocupada, dezenas de colonos defensores da retomada das construções puseram a primeira pedra de uma futura creche que planejam erguer, durante uma manifestação simbólica.

Outra manifestação estava prevista para esta tarde na colônia vizinha de Revava.

O deputado Danny Danon, que pertence à ala ultraconservadora do partido Likud, do premier Benjamin Netanyahu, exortou o chefe de governo "a ser forte e resistir às pressões americanas para prorrogar a moratória".

"A mensagem de Judeia e Samaria (nome bíblico da Cisjordânia) vai para o primeiro-ministro. Dizemos a ele: 'permanece fiel ao caminho traçado pelo Likud, resiste às pressões do presidente (americano, Barack) Obama e continua construindo em todas as partes'", afirmou o deputado do Likud.

Preocupado com o impacto internacional que podem ter as imagens de escavadeiras, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pediu este domingo aos colonos judeus "moderação" e "responsabilidade".

Embora se considere que a proibição expira à meia-noite local (19h00 de Brasília), os colonos afirmam que começarão a construir ao cair do sol, exatamente às 17h29 locais (12h29 de Brasília).

Apoiados pela ala direitista do Likud, o partido de Netanyahu, os colonos preveem colocar a primeira pedra de um novo bairro em Kiryat Netafim, assentamento do norte da Cisjordânia, na tarde deste domingo.

"Da mesma forma que o congelamento foi total, a retomada das construções deve ser total, como prometeu o governo", avisou Danny Dayan, líder da Yesha, principal organização dos colonos da Cisjordânia.

Os colonos também organizam uma contagem regressiva, na noite deste domingo, e os militantes do Likud dizem ter mobilizado uma centena de ônibus que percorrerão a Cisjordânia, em solidariedade aos colonos.

O partido ultranacionalista Israel Beitenu e o Shass, formação ultraortodoxa, os dois principais aliados do Likud, também se opõem à prorrogação da moratória.

Em contraposição a eles, o secretário-geral do movimento anticolonização Paz Agora, Yariv Oppenheimer, estimou que "o congelamento quase total da construção demonstra que o governo dispõem de meios para deter os colonos".

Segundo a rádio pública israelense, as obras de mais de 1.500 moradias que conseguiram todas as permissões necessárias das autoridades israelenses podem começar "imediatamente".

Na frente diplomática, os Estados Unidos prosseguiam os intensos esforços para alcançar um acordo de última hora.

Para salvar as negociações diretas, retomadas em 2 de setembro, em Washington, após uma interrupção de 20 meses, a comunidade internacional, com Obama à frente, solicitou expressamente a Netanyahu a prorrogação da moratória.

Em resposta, Israel se declarou "disposto a conseguir um compromisso", mas repetiu que "não poderia haver construção zero" nas colônias.

O presidente palestino, Mahmud Abbas, por sua vez, que conta com o apoio da Liga Árabe, rejeitou até agora qualquer "solução parcial" que não garanta o "cessar total" da colonização.

Abbas anunciou, este domingo, em Paris, onde está atualmente para encontro na segunda-feira com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, que a Liga Árabe se reunirá por inciativa sua, em 4 de outubro, para analisar a continuidade das negociações de paz.

Israel deve "escolher entre a paz e a continuidade da colonização", disse Abbas no sábado à ONU.

"Netanyahu sob pressão deve escolher entre Obama e as escavadeiras", intitulou este domingo o jornal Maariv, enquanto o popular Yediot Aharonot se questionou quem, "entre Obama, Netanyahu e Abbas, será o primeiro a ceder".

"Na verdade, nenhum deles, pelo menos imediatamente. O que vai se dissipar é a possibilidade, por mínima que tenha sido, de progredir para um acordo israelense-palestino", avaliou o editorialista do Yediot.

Com informações da EFE e Reuters

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