Netanyahu: frota de ajuda era 'operação terrorista'

Primeiro-ministro israelense afirma que barcos com ajuda humanitária não faziam parte de um "cruzeiro de amor"

iG São Paulo |

A frota de ajuda humanitária que seguia para Gaza, atacada pela marinha israelense na segunda-feira, fazia parte de "uma operação terrorista", pelo que "Israel está sendo vitima de um ataque de hipocrisia internacional", disse nesta quarta-feira o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em um discurso à nação, transmitido pela rede de televisão.

"Não era um cruzeiro de amor, era um cruzeiro de ódio. Não era uma operação pacífica, era uma operação terrorista", declarou Netanyahu, ao justificar o sangrento ataque à flotilha humanitária, no qual morreram nove passageiros.

AP
Benajamin Netanyahu discursa nesta quarta-feira

Netanyahu também afirmou que o bloqueio a Gaza vai continuar. O bloqueio marítimo a Gaza é necessário para evitar que "se torne um porto iraniano" e "uma ameaça para o Mediterrâneo e a Europa", disse.

"Nosso dever é inspecionar todos os barcos que chegam. Se não o fizermos, Gaza se tornará um porto iraniano, o que seria uma ameaça real para o Mediterrâneo e a Europa", afirmou Netanyahu. "O Estado de Israel continuará exercendo seu direito a autodefesa. A segurança está acima de tudo", acrescentou o primeiro-ministro israelense.

Hamas, o movimento islâmico radical que controla Gaza, "continua a se armar e o Irã, transferindo armas ao Hamas, em particular foguetes e mísseis", disse Netanyahu. Essas armas "apontam para as localidades israelenses próximas a Gaza, mas também para subúrbios de Tel-Aviv e Jerusalém", acrescentou o chefe do governo israelense."Nosso dever é impedir que essas armas penetrem em Gaza por terra, ar ou mar", afirmou Netanyahu.

Ativistas deportados

Israel libertou todos os ativistas estrangeiros que haviam sido detidos na segunda-feira durante a ação contra a frota de barcos que tentava furar o bloqueio israelense para levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

Os centenas de ativistas aguardavam ainda no início da noite desta quarta-feira (início da tarde em Brasília) a deportação de Israel no aeroporto internacional Ben Gurion, em Tel Aviv. O grupo deve ser transportado em quatro aviões, três deles com destino à Turquia e o outro, rumo à Grécia.

As autoridades israelenses afirmaram ter decidido não processar nenhum dos ativistas estrangeiros, mas alguns árabes israelenses que estavam nos barcos continuam detidos e podem enfrentar ações judiciais.

Segundo as autoridades israelenses, havia 682 pessoas de 42 países diferentes nos seis barcos interceptados na segunda-feira, numa operação em que nove pessoas morreram.

Na manhã desta quarta-feira, 123 ativistas já haviam sido transportados por Israel até a fronteira com a Jordânia, onde foram libertados.

Eles foram recebidos com palmas e cantoria depois de 10 horas de espera. A libertação para a Jordânia foi conseguida por meio de um acordo alcançado pelo cônsul jordaniano em Israel, Issam al-Bodur. Pelo pacto, Israel concordou em enviar os participantes da Jordânia, Mauritânia, Kuwait e Síria de ônibus para a Jordânia e, de lá, para seus respectivos países.

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