Jerusalém, 12 jun (EFE).- O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, se reuniu com escritores e partidos direitistas da coalizão de Governo para definir o importante discurso que fará no próximo domingo, informaram meios de comunicação locais.

O jornal "Ha'aretz" revela hoje que o chefe do Executivo e líder do partido direitista Likud se reuniu em segredo com os escritores David Grossman e Eyal Meged, com os quais decidiu que o conteúdo do aguardado discurso não seja vazado à imprensa.

A reunião demonstra a importância que Netanyahu dá ao discurso na Universidade Bar-Ilan, nas imediações de Tel Aviv, no qual definirá os "princípios" de sua "política de paz e segurança", conforme ele mesmo explicou na semana passada.

Nas palavras de um dos assessores do premiê ao jornal, o discurso "marcará o início de fato do mandato de Netanyahu".

O "Ha'aretz" publicou nesta quinta-feira, a partir de fontes ligadas ao chefe de Governo, que Netanyahu anunciará no domingo que deve aceitar a criação de um Estado palestino, algo que até agora se recusou a fazer, o que gerou tensões com o principal aliado do país, os Estados Unidos.

No entanto, o presidente do partido ultradireitista Habayit Hayehudi (Lar Judeu), Zevulun Orlev, afirmou hoje, após se reunir com Netanyahu, que o discurso também não será um "terremoto".

"Netanyahu não é como (seus antecessores, Ehud) Olmert e (Ariel) Sharon e não mudará de lado", disse Orlev, que disse se sentir "mais tranquilo" após o encontro com o primeiro-ministro.

O chefe do Governo israelense também se reuniu com os ministros e vice-ministros de outro partido da coalizão, o ultra-ortodoxo sefardita Shas.

O líder do Shas e titular do Interior, Eli Yishai, insistiu na importância de "manter o crescimento natural em Judéia e Samaria (nomes bíblicos e oficiais em Israel da Cisjordânia) enquanto se evita, por sua vez, um choque frontal com os EUA".

Yishai, que se reuniu depois a sós com Netanyahu, fazia referência ao pedido dos Estados Unidos de deter a expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia, incluindo o denominado "crescimento natural".

Isso está contido nas obrigações do Estado judeu na primeira fase do plano de paz lançado em 2003 pelo Quarteto de Madri (EUA, União Europeia, ONU e Rússia).

Netanyahu não fará menção no discurso a esta demanda, segundo o "Ha'aretz". EFE ap/db

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