Elías L. Benarroch.

Jerusalém, 14 jun (EFE).- O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, falou hoje pela primeira vez sobre a criação de um "Estado palestino", mas pôs uma série de condições à Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Logo após as declarações, porta-vozes palestinos se apreçaram em qualificar de "sabotagem" o processo de paz.

Em seu primeiro discurso sobre o processo de paz desde que assumiu em março a chefia de Governo, Netanyahu expôs as condições para o futuro reatamento das negociações e enumerou que entre as duas básicas está que um eventual Estado palestino seja desmilitarizado.

"Israel não poderá aceitar um Estado palestino a menos que obtenha garantias de que estará desmilitarizado", disse em discurso na Universidade de Bar-Ilan, nos arredores de Tel Aviv, em resposta ao que o presidente americano, Barack Obama, fez no Cairo no início do mês.

"É preciso garantir que os palestinos não poderão introduzir foguetes nem terroristas em seu território, nem fazer alianças com inimigos de Israel", explicou.

Diante de uma platéia amiga, repleta de seguidores do movimento sionista religioso, Netanyahu reafirmou sua postura de que o processo de paz deve acontecer dentro do estipulado pelo anterior Governo Ehud Olmert, embora tenha se mostrado um pouco mais realista do que antes das eleições de fevereiro.

Ao pedir hoje aos países árabes vizinhos que apoiem sua visão de uma "paz econômica" - que já foi dada na campanha eleitoral -, reconheceu que "isso não será suficiente" para resolver o conflito do Oriente Médio, e assumiu abertamente a criação de um Estado palestino ao lado de Israel.

Um Estado que, segundo ele, além de desmilitarizado não poderá ter controle sobre seu espaço aéreo.

De acordo com o premiê, "existe o temor" de "que o Estado palestino se torne em um Estado terrorista, como ocorreu na Faixa de Gaza" após a retirada de Israel em 2005.

Segundo a visão de Netanyahu, antes de conseguir seu Estado, os palestinos deverão reconhecer também que "Israel é o lar nacional do povo judeu", um reconhecimento que ele considera a "raiz" de todo o conflito do Oriente Médio há décadas.

Sem a aceitação dessas duas condições de base, o primeiro-ministro israelense não vê saída diplomática para o conflito, porque "os ataques palestinos começaram antes de Israel estar em Judéia e Samaria" - os nomes bíblicos para a Cisjordânia.

Em referência a outros grandes problemas entre israelenses e palestinos, a soberania sobre Jerusalém e o retorno de quatro milhões de refugiados palestinos, o primeiro-ministro israelense não se mostrou menos taxativo.

"Jerusalém é a capital indivisível de Israel" e "o problema dos refugiados deverá ser resolvido fora das fronteiras do Estado israelense", declarou.

Em relação à problemática expansão das colônias judaicas, outro dos empecilhos para o processo, Netanyahu afirmou que não "haverá mais assentamentos", mas sem se comprometer a pôr fim às construções. "Devemos dar resposta ao crescimento demográfico", disse.

O discurso do primeiro-ministro israelense não surpreendeu os palestinos, que de Ramala e Gaza, sede de seus dois Governos, condenaram as novas exigências.

"Não estamos surpresos com o que disse, mas ao mesmo tempo condenamos todas suas declarações", disse o negociador-chefe da ANP, Saeb Erekat.

Segundo o negociador, Netanyahu não reconheceu o problema dos refugiados, nem a solução de dois Estados para dois povos, e "se limitou a pôr condições impossíveis aos palestinos".

Já Rafik al-Husseini, chefe de gabinete do presidente da ANP, Mahmoud Abbas, assegurou que "com o discurso Netanyahu declarou guerra aos palestinos e ao mundo inteiro".

"O que fez é negar todos os princípios que a comunidade internacional considera básicos para conseguir uma solução pacífica entre israelenses e palestinos", comentou.

Outros porta-vozes oficiais em Ramala falaram de "sabotagem" às negociações, enquanto em Gaza, Ismail Radwan, um dos dirigentes do Hamas, apontou que "o discurso é uma bofetada na cara de todos aqueles que apostaram na opção das negociações com Israel". EFE Sa'ar/rr

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