Netanyahu espera resposta trabalhista para formar Governo em Israel

Daniela Brik. Jerusalém, 23 mar (EFE).- O líder do Likud e primeiro-ministro designado de Israel, Benjamin Netanyahu, realiza os últimos atos para a formação do futuro Governo israelense, após definir hoje a entrada dos ultra-ortodoxos do Shas e à espera de uma resposta positiva do Partido Trabalhista.

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Nesta madrugada, Netanyahu assinou um acordo com o grupo religioso sefardita Shas, pelo qual este receberá quatro ministérios no próximo Executivo, além de garantias de uma verba de 1,4 bilhão de shekels (254,5 milhões de euros) em assistência social para os próximos três anos.

O Shas, que obteve 11 cadeiras nas eleições realizadas em 10 de fevereiro, junta-se, assim, ao conservador Likud (27) e ao ultra-direitista Yisrael Beiteinu (15), no que aparece como uma coalizão governamental de tendência direitista, mesmo se houver a união dos trabalhistas (13), segundo analistas políticos.

Representantes do Likud e do Partido Trabalhista se reuniram hoje em um hotel da localidade de Ramat Gan, próxima a Tel Aviv, a fim de elaborar um documento marco para um acordo de coalizão.

Essa minuta, que será submetida a debate dentro do Comitê Central do Partido Trabalhista amanhã, levanta polêmica entre os membros dessa legenda, que acusam o líder trabalhista, o ministro da Defesa, Ehud Barak, de agir de forma "patética" e ameaçam sair da formação.

Após obter os piores resultados de sua história no pleito de fevereiro, Barak prometeu a seu eleitorado que a única saída para reconstruir a confiança das bases era passar para a oposição.

No entanto, pouco depois, começou a "flertar" com a ideia de se juntar a uma coalizão liderada por Netanyahu - outrora seu rival político -, apesar de a dirigente do Kadima, Tzipi Livni, negar-se a fazer parte de um Governo de união nacional sem garantias de que fosse negociado o estabelecimento de um Estado palestino.

Antes de sondar Barak, Netanyahu tentou integrar no futuro Governo o Kadima, que ganhou as eleições, com 28 deputados, embora o chefe de Estado israelense, Shimon Peres, tenha encomendado ao Likud a formação do executivo, por este ter mais apoio parlamentar.

Segundo o ministro da Agricultura, o trabalhista Shalom Simhon, as conversas de hoje se concentram em aspectos diplomáticos e sócio-econômicos.

"Tentaremos chegar a um acordo para poder apresentá-lo na conferência do partido", disse.

Segundo a imprensa local, Barak pede cinco ministérios: o de Defesa, que quer continuar liderando; o de Indústria, Comércio e Trabalho; o de Infraestruturas, o de Agricultura, além de um quinto ministro sem pasta.

Também quer que um de seus deputados seja nomeado vice-primeiro-ministro e outro lidere uma comissão parlamentar.

Como parte central do acordo, está um programa para resolver os problemas sócio-econômicos, no momento em que a crise financeira mundial começa a atingir Israel, um dos principais argumentos de Barak para justificar sua entrada em uma coalizão de extrema direita.

Ao contrário de Livni, Barak não parece se preocupar demais com a questão diplomática e a oposição declarada de Netanyahu em concretizar uma solução de dois Estados para o conflito israelense-palestino.

O jornal "Ha'aretz" antecipa hoje que, para atrair Barak a suas fileiras, o líder do Likud defende incluir em seu programa de Governo uma fórmula que defenda continuar a negociação com palestinos e sírios, mas sem as palavras "dois Estados para dois povos".

Este ponto foi duramente criticado pelo ainda chefe do Executivo israelense, Ehud Olmert, que ontem disse que "quem for a um Governo cujos guias não incluam o princípio de dois Estados para dois povos é conscientemente responsável de submeter Israel ao pior isolamento que terá conhecido desde sua fundação".

Enquanto isso, Netanyahu está cada vez mais perto de obter a maioria parlamentar suficiente para governar - precisa de pelo menos 61 cadeiras - e não poupa esforços para formar uma coalizão o mais ampla possível.

"Agora temos 53 deputados, segundo os acordos de coalizão, e nos próximos dias trabalharemos para expandir a base parlamentar de apoio a este Governo", disse o negociador do Likud, Gideon Sa'ar.

Netanyahu tem até o próximo dia 3 de abril para apresentar um Governo de coalizão. EFE db/an

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