O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netahnyahu tentou amenizar as tensões com os Estados Unidos sobre o congelamento da colonização na Cisjordânia e em Jerusalém, durante um encontro nesta quarta-feira, em Londres, com o enviado americano George Mitchell.

Os dois se reuniram durante quatro horas. Nada foi divulgado sobre a conversa. Netanyahu deveria embarcar logo depois para Berlim, onde se encontrará quinta-feira com a chanceler alemã Angela Merkel.

Antes de ver Mitchell, Netanyahu disse que poderá em breve retomar discussões normais com os palestinos, segundo seu porta-voz Mark Regev.

Este encontro ocorreu em um momento de raro atrito entre os aliados americanos e israelenses. Washington, apoiado por grandes países europeus, vê no congelamento da colonização a condição básica para a retomada das negociações de paz, suspensas no fim de 2008.

Dividido entre as expectativas da comunidade internacional e as exigências dos membros mais intransigentes de sua aliança governista de direita, Netanyahu tenta ganhar tempo.

Em entrevista à imprensa na terça-feira, ele insistiu sobre o fato de que a "questão das colônias é um problema, mas o problema principal é a recusa dos palestinos em reconhecer Israel como um Estado judeu".

O primeiro-ministro israelense esperava que seu encontro com Mitchell ajudasse a encerrar uma disputa com Washington e conduzisse a uma retomada das negociações de paz até o fim de setembro.

Mas uma alta fonte do governo israelense já havia declarado que o encontro deveria resultar em alguns avanços, mas não em conclusões.

Terça-feira, Netanyahu se encontrou em Downing Street com seu colega britânico Gordon Brown, que reafirmou que a colonização é um obstáculo para uma solução com dois Estados. Brown comemorou, ao mesmo tempo, a existência de uma vontade real de avançar.

As autoridades israelenses e americanas consideram possível um encontro entre Obama, Netanyahu e o presidente palestino, Mahmud Abbas, em Nova York em setembro, paralelamente à assembleia geral das Nações Unidas, para a retomada das negociações de paz.

A última fase das negociações foi suspensa no fim de 2008, após o lançamento de uma ofensiva israelense na faixa de Gaza. Os palestinos condicionam seu retorno à mesa de discussões ao congelamento total da colonização na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

Mas Netanyahu se nega a ceder sobre Jerusalém Oriental. Ele exige, além disso, garantias para cerca de 500.000 colonos.

O jornal britânico The Guardian informa nesta quarta-feira que Israel estaria disposto a aceitar um congelamento parcial da colonização, em troca de sanções internacionais reforçadas contra o Irã sobre seu programa nuclear.

Após o encontro terça-feira com Brown, Netanyahu disse querer encontrar uma fórmula de reaproximação com o enviado americano, para avançar no processo de paz e, assim, permitir aos colonos viverem normalmente.

Mas ele também tentou colocar os palestinos diante de suas responsabilidades. A fórmula de sucesso, segundo ele, consistiria na aceitação pelos palestinos de um Estado desmilitarizado e o reconhecimento de Israel como Estado do povo judeu.

"Nós evoluímos no território, eu também evolui não apenas nos meus atos como também em minhas palavras. A ausência de uma expressão clara e sem ambiguidade da parte das autoridades palestinas de um tal reconhecimento é o que entrava a paz", declarou.

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