Netanyahu encerra primeira rodada de negociações para formar governo

O líder do Likud conservador, Benjamin Netanyahu, finalizou nesta sexta-feira uma primeira rodada de negociações com a extrema-direita e os partidos religiosos, dando os primeiros passos na delicada tarefa de costurar o próximo governo de Israel.

AFP |

Os representantes do partido religioso ultranacionalista Hogar Judeu, que conquistou 3 das 120 cadeiras do Parlamento nas eleições de terça-feira, prometeram apoiar sua candidatura ao posto de primeiro-ministro.

"Benjamin Netanyahu será o primeiro-ministro", afirmou em seu editorial o jornal liberal Haaretz, que durante a campanha eleitoral apoiou abertamente a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, do partido Kadima (centro-direita).

"A eleição está agora nas mãos de Netanyahu", acrescentou o Haaretz.

O partido ultradireitsta Israel Beitenu, de Avigdor Lieberman (15 cadeiras), apresentou uma lista de exigências, tanto a Livni quanto a Netanyahu, para fazer parte de um governo de coalizão, segundo a rádio estatal.

Além disso, há a expectativa de que o governo atue contra o terrorismo, combatendo, principalmente, os radicais do Hamas, grupo islâmico que desde 2007 controla a Faixa de Gaza.

O Israel Beitenu também quer que o governo adote uma lei que submeta a cidadania à lealdade ao Estado, medida que, se aprovada, acarretaria na expulsão do país de qualquer árabe considerado desleal.

Para reunir uma maioria em torno de si, Netanyahu pode se aliar com a extrema-direita e com as formações religiosas, ou então tentar formar um governo mais amplo, com a participação do Kadima.

A primeira opção garante ao Likud uma maioria de 65 deputados, o que, do ponto de vista da matemática parlamentar, dá amplitude suficiente para a costura de um governo forte. De uma perspectiva internacional, porém, o efeito seria desastroso.

Um governo comprometido com a intensificação da colonização na Cisjordânia e hostil a um compromisso territorial poderia provocar uma situação tensa com o governo de Barack Obama, que parece menos disposto que seu antecessor a dar apoio incondicional a Israel.

O próprio Netanyahu chegou a se pronunciar a favor de um governo aberto durante a campanha eleitoral, quando reconheceu ser um erro depender totalmente da extrema-direita durante seu primeiro mandato como primeiro-ministro, entre 1996 e 1999.

Alguns dirigentes do Kadima não descartaram esta possibilidade, em especial o ex-ministro da Defesa Shaul Mofaz, indicou nesta sexta-feira a rádio militar.

O vice-primeiro-ministro Haim Ramon, do Kadima - muito ligado a Livni -, disse que também não vê uma eventual aliança com maus olhos.

Embora Netanyahu pareça ser o único com possibilidades reais de formar um governo, diante da radical virada à direita do eleitorado israelense, o peso relativamente baixo de seu partido no Parlamento está dificultando a tarefa.

Com 27 das 120 cadeiras, o Likud é a segunda maior formação da Knesset, atrás do Kadima, que obteve 28 cadeiras.

O presidente israelense, Shimon Peres, deve começar suas consultas com representantes dos partidos na quarta-feira, para consolidar a formação da nova administração.

O candidato designado tem um prazo de 28 dias para apresentar seu governo ao Parlamento, período que se pode ser prolongado por mais 14 dias. Em caso de fracasso, o presidente deve escolher outro candidato.

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