Netanyahu e Livni vão se reunir para negociar coalizão

JERUSALÉM - O líder do partido conservador Likud, Benjamin Netanyahu, designado nesta sexta-feira para formar o novo governo de Israel, vai se reunir no próximo domingo com a dirigente do Kadima, Tzipi Livni, para negociar uma coalizão.

Redação com agências internacionais |



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Pouco depois de receber a incumbência do presidente do Estado de Israel, Shimon Peres, de formar o governo, Netanyahu ligou para Livni para lhe dizer que estava consciente de sua decisão de fazer parte da oposição, disse a imprensa local.

No entanto, o líder conservador afirmou que isso não a impedia de se reunir para conversar.

O partido de Livni obteve 28 cadeiras no pleito de 10 de fevereiro, um a mais que o Likud. No entanto, Netanyahu conta com a maioria parlamentar para integrar uma coalizão do governo de direita, razão que levou Peres a tomar a decisão de encarregá-lo de formar o novo Executivo.

Netanyahu pediu, nesta sexta, que Livni e o líder do Partido Trabalhista, Ehud Barak, quarta força parlamentar em Israel, façam parte de um governo de união nacional.

AP
Após ser ecolhido, Netanyahu busca
membros para formar governo
"Convido Tzipi Livni e Ehud Barak a se unirem para garantir o futuro do Estado de Israel. Peço que aceitem um convite para nos reunirmos, para debater (a possibilidade de formar) um governo de união nacional, pelo bem do povo e do Estado", manifestou.

O líder conservador tem 28 dias para formar o governo, missão que pode ser prorrogada por mais duas semanas caso seja necessário.

Convite aceito

Tizip Livni indicou que poderia aceitar a proposta de fazer parte do governo. Mas pelo fato de o Kadima, reter a posição de maior partido de Israel nas eleições no dia 10 de fevereiro, ela com certeza exigirá um preço muito alto: dividir o cargo de primeiro-ministro, pelo qual ela tanto lutou contra Netanyahu,que não quer cumprir apenas metade do mandato.

A líder centrista, que conduziu as negociações em um ano de conversas pacíficas com os palestinos, concordou em encontrar com Natanyahu no domingo, para discutir sua proposta de unidade.

Livni também não apresentou objeção em se unir a um governo que incluísse Israel Beiteinu, do partido ultranacionalista Avigdor Lieberman, que deseja que um milhão de árabes israelenses assinem um juramento de lealdade ao Estado judeu.

No entanto, a pauta secular de Beiteinu apresenta diferenças com partidos nacionalistas religiosos e lhe dá fatores comuns com os moderados, como o Kadima. Lieberman disse que não teria problema em se unir a um governo com o partido de Livni.

Divergências

Reuters
Livni prefere se manter na oposição

Após a decisão do presidente em optar por Netanyahu, Livni afirmou que "tal governo (do líder conversador) não tem nenhum valor e eu não serei sua avalista". Ela classificou o gabinete que será formado pelo direitista de "governo sem visão política".

A líder centrista reafirmou que seu partido "quer uma solução de paz baseada em dois Estados", um palestino e outro israelense, e acusou o futuro governo de Netanyahu, formado com o apoio da extrema-direita, de se opor a essa medida.

"Netanyahu quer nossa participação para estabilizar seu governo. Mas não a terá. A coalizão que ele planeja prejudica nosso país", declarou Livni ao jornal Haaretz.

"Não aceitarei participar desse governo com o único objetivo de salvar Bibi (Netanyahu) de si mesmo e seus sócios", enfatizou Livni.

Essa declaração foi antes de receber o convite do escolhido para uma reunião no domingo. Desde que foi designado para formar o governo, Netanyahu já afirmava estar disposto a convidar Livni para entrar em seu gabinete "devido aos grandes desafios que Israel enfrenta: Irã, terrorismo e crise econômica".



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