Netanyahu e Livni aceleram contatos para formar Governo israelense

Antonio Pita. Jerusalém, 12 fev (EFE).- Os líderes do partido conservador Likud, Benjamin Netanyahu, e do de centro-direita Kadima, Tzipi Livni, aceleraram hoje os contatos políticos para conseguir do chefe do Estado, Shimon Peres, a incumbência de formar o novo Governo de Israel.

EFE |

Livni e Netanyahu conversam com partidos menores para somar pelo menos 61 deputados quando Peres convocar, na próxima semana, as consultas para designar o primeiro-ministro, após oficializar hoje os resultados das eleições de terça-feira.

Após a contagem dos 0,3% de votos cuja apuração estava pendente, ficou confirmado que o Kadima terá 28 deputados, contra 27 do Likud, informou hoje o Comitê Eleitoral Central.

Conscientes de que os dois partidos mais votados precisam de apoio para formar uma nova maioria, as legendas menores movimentaram algumas peças para impor suas posturas em uma negociação complexa e aberta.

O ultra-ortodoxo sefardita Shas tenta formar um bloco com o também radical Judaísmo Unido da Torá, para tirar do Yisrael Beiteinu o posto de "partido decisivo" na formação do novo Governo.

As duas legendas religiosas somam 16 deputados (11 do Shas e 5 do Judaísmo Unido da Torá), um a mais que o ultradireitista Yisrael Beiteinu, de Avigdor Lieberman.

Embora os primeiros representem a ortodoxia religiosa judaica e os segundos a direita xenófoba laica, o líder do Shas, Eli Yishai, não excluiu hoje a possibilidade de compartilhar uma coalizão de Governo com Lieberman.

"Já nos sentamos com ele", lembrou Yishai sobre o atual Executivo dirigido por Ehud Olmert - do Kadima -, que Yisrael Beiteinu abandonou no ano passado em protesto contra o diálogo com a Autoridade Nacional Palestina (ANP).

O líder do Shas ressaltou ainda que o resultado das eleições legislativas mostra que Israel "escolheu a direita" e, portanto, deve existir um "Governo baseado no campo nacionalista".

Enquanto isso, o Likud cortejava Lieberman com a pasta de Finanças, informa o diário "Ha'aretz".

Lieberman, que há um mês sugeriu que Israel deveria lançar uma bomba nuclear sobre a Faixa de Gaza, prefere o Ministério da Defesa.

Hoje, o líder ultradireitista declarou na rádio pública israelense que sabe "exatamente" que vai recomendar a Peres para formar o Governo, mas que o mantém em segredo porque "ainda é muito cedo" para revelar isso.

No dia das eleições, manifestou sua preferência por Netanyahu, que aposta na formação de um Governo com ele como primeiro-ministro e apoiado pelo Yisrael Beiteinu e o Kadima.

"Quero criar uma ampla coalizão e quero dizer aos demais partidos: 'se vocês estão preocupados com o interesse nacional, deixem de lado seus próprios interesses políticos e vamos nos unir em um Governo sob minha liderança'", disse hoje Netanyahu.

Neste amplo Executivo de união nacional, Livni seguiria à frente da diplomacia israelense e Shaul Mofaz, também do Kadima, substituiria o trabalhista Ehud Barak na Defesa, segundo "Ha'aretz".

O Kadima não fecha suas portas para o Likud, mas desde que não seja para integrar "um Governo de extrema direita", disse hoje um de seus dirigentes, o ministro do Interior Meir Sheetrit.

A lei eleitoral israelense concede ao chefe do Estado a função de nomear o primeiro-ministro e, apesar de a tradição política indicar que o cargo deve ficar com o candidato vencedor das eleições, Livni não parece ter respaldo suficiente na Câmara Parlamentar.

A rodada de consultas do presidente com os líderes políticos começará na próxima segunda-feira, e até então os dois candidatos podem antecipar o diálogo político.

Geralmente, as negociações começam após a indicação de quem será o premiê, mas foram antecipadas pelo empate virtual entre os candidatos, e o fato de Netanyahu ter, pelo menos a princípio, um maior apoio dos outros partidos. EFE ap/mh

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