O líder conservador israelense Benjamin Netanyahu foi encarregado nesta sexta-feira pelo presidente Shimon Peres de formar um novo governo em Israel.


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O anúncio foi feito depois que a líder do partido centrista Kadima, Tzipi Livni, descartou publicamente a participação de sua formação em um governo dirigido por Netanyahu.

"O presidente tomou sua decisão no que diz respeito à formação do governo e a presidência convoca o deputado Benjamin Netanyahu para confiar-lhe esta tarefa", afirma um comunicado oficial.


Netanyahu (esquerda) foi encarregado por Peres para formar governo / AP

Peres havia convocado separadamente para uma reunião os dois políticos para convencê-los a formar um governo de união nacional, destacando a necessidade de formar um gabinete com estas características, dada a importância dos desafios que Israel vem enfrentando.

Classificando o gabinete previsto por Netanyahu de "governo sem visão política", Livni afirmou: "tal governo não tem nenhum valor e eu não serei sua avalista".

A líder centrista reiterou que seu partido "quer uma solução de paz baseada em dois Estados", um palestino e outro israelense, e acusou o futuro governo de Netanyahu, formado com o apoio da extrema-direita, de se opor a isso.

"Netanyahu quer nossa participação para estabilizar seu governo. Mas não a terá. A coalizão que ele planeja prejudica nosso país", declarou Livni ao jornal Haaretz.

Haim Ramon, dirigente do Kadima e vice-ministro do atual governo, também descartou a participação de seu partido em um governo que "rejeita o princípio de dois Estados para dois povos", em referência à criação de um Estado palestino.

"Não aceitarei participar nesse governo com o único objetivo de salvar Bibi (Netanyahu) de si mesmo e seus sócios", enfatizou Livni.

Netanyahu havia afirmado, no entanto, estar disposto a convidar Livni para entrar em seu gabinete "devido aos grandes desafios que Israel enfrenta: Irã, terrorismo e crise econômica".

Netanyahu encarregado

Logo após ser encarregado de formar o governo, Netanyahu insistiu na tese de que Irã é atualmente o maior dos desafios que seu país tem pela frente.

"Israel atravessa um período crucial e deve enfrentar desafios colossais. O Irã busca dotar-se de armas nucleares e constitui a ameaça mais grave para nossa existência desde a guerra da independência" (de 1948), afirmou Netanyahu.


Netanyahu comemora resultado da eleição / AP

Nas eleições legislativas de 10 de fevereiro, o partido Kadima obteve 28 cadeiras, uma a mais que o Likud. Mas Netanyahu é o único neste momento que pode formar uma coalizão, ao contar com um apoio de 65 deputados dos 120 que integram a Knesset.

Depois de ser oficialmente designado, Netanyahu disporá de um prazo de 28 dias, prolongáveis por mais 14, para apresentar sua proposta de governo ao Parlamento.

Netanyahu, que desde o início se opôs aos acordos de paz de Oslo com os palestinos em 1993, reduziu seu alcance quando foi primeiro-ministro (1996-1999), retomando em grande escala a colonização judia nos territórios palestinos.

Hostil à criação de um Estado palestino, se manteve, no entanto, impreciso sobre suas intenções durante esta campanha eleitoral.

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