Roma, 23 jun (EFE).- O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse hoje que o regime iraniano oprime seu próprio povo e que estamos vendo sua verdadeira natureza, em entrevista coletiva conjunta concedida em Roma, junto com o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi.

Sobre as manifestações realizadas no Irã contra o regime de Ahmadinejad, o primeiro-ministro israelense exaltou "a coragem do povo iraniano que luta pela liberdade e merece aclamação".

Netanyahu foi perguntado sobre a posição do presidente americano, Barack Obama, no assunto, mas o primeiro-ministro disse que "não vai formulas hipóteses sobre isso" e acrescentou que tem certeza que a Administração americana está revisando sua posição com relação ao Irã.

Quanto à questão palestina, o primeiro-ministro de Israel reiterou seu apoio à existência "de um Estado palestino desmilitarizado, que reconheça Israel com Estado judeu".

Em sua primeira viagem oficial a um país europeu como primeiro-ministro, Netanyahu elogiou a posição de Berlusconi, que "defendeu a verdade e a amizade quando sopravam ventos contrários" e, por isso, argumentou que escolheu a Itália como primeiro destino de visita oficial na Europa.

O primeiro-ministro israelense convidou Berlusconi a fazer um discurso na Knesset ou no Parlamento israelense.

Berlusconi, anfitrião da próxima reunião do G8, na cidade de L'Aquila, do dia 8 ao dia 10 de julho, assegurou que, no passado e no futuro, as relações diplomáticas com o Irã serão levadas adiante "sempre compartilhadas com a Administração americana e com a de Israel".

A Itália está disposta a manter suas relações com o Irã, mas "só se estas relações apresentarem algo positivo no plano internacional e com a participação da Administração americana".

O primeiro-ministro da Itália afirmou que "a Itália compartilha com todo o mundo ocidental a absoluta reprovação sobre a possibilidade de que o Irã chegue a ter armamento nuclear".

Berlusconi elogiou a nova posição de Netanyahu sobre a criação de um Estado palestino desmilitarizado. Para ele, essa é uma atitude que "pode abrir um caminho de paz para as negociações com os palestinos" e uma perspectiva que "consideramos ser um dever, assim como o reconhecimento do Estado judeu de Israel".

O primeiro-ministro italiano pediu ao israelense, no entanto, que dê sinais "significativos sobre o fim dos assentamentos, pois eles representam um obstáculo para a paz".

Além disso, reiterou sua vontade de criar um plano Marshall para os palestinos, com o objetivo de reestruturar a economia e desenvolver o turismo na região.

Para Netanyahu, "chegou o momento de trabalhar para pôr em prática o plano no qual Berlusconi trabalha há dez anos" e que disse o apoia "cem por cento".

O insraelense citou lugares turísticos como Nazaré, Belém, Jerusalém e Jericó. Segundo Netanyahu, esse novo plano Marshall representaria "uma grandíssima esperança para o futuro, um benefício econômico para a Cisjordânia, Israel e Palestina".

"Somos absolutamente favoráveis ao plano Marshall, porque com o turismo poderíamos criar milhares de postos de trabalho e isso reduziria o número de extremistas", concluiu. EFE cps/pd

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