JERUSALÉM (Reuters) - O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, encerrou na quinta-feira sua conturbada visita aos EUA, aparentemente sem resolver a disputa envolvendo a construção de novas moradias para colonos judeus em Jerusalém Oriental e arredores. Apesar de ele ter sinalizado eventuais concessões, analistas israelenses não viram um acordo de Netanyahu com o presidente dos EUA, Barack Obama, e disseram que as tensões com Washington parecem ter permanecido intactas.

O presidente de Israel, Shimon Peres, estadista emérito do país, disse que Netanyahu "aparentemente (...) não alcançou um entendimento com os Estados Unidos da América".

Os principais jornais israelenses disseram em suas manchetes que a crise do país com os EUA se agravou.

Israel irritou seus aliados norte-americanos ao anunciar, no começo do mês, a intenção de construírem 1.600 novas casas para colonos judeus em uma parte da Cisjordânia anexada ilegalmente ao município de Jerusalém. A notícia causou constrangimento para o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, que fazia uma visita a Israel.

Na quarta-feira, surgiu a notícia de um outro projeto, para a construção de 20 moradias em um bairro de Jerusalém Oriental do qual palestinos foram expulsos no ano passado.

A Casa Branca disse que os EUA exigiram esclarecimentos sobre o novo projeto, e autoridades norte-americanas, inclusive o representante especial do governo para o Oriente Médio, George Mitchell, tiveram várias reuniões sobre o assunto com Netanyahu no hotel em que ele se hospedava, em Washington.

O porta-voz Robert Gibbs confirmou que há "áreas de discordância" entre as duas partes, e disse que Obama "pediu ao primeiro-ministro que dê passos para construir a confiança para as discussões por proximidade (ou seja, negociações indiretas com os palestinos, sob mediação dos EUA).

Os palestinos ameaçam não participar do processo indireto se Israel não paralisar a ampliação de assentamentos em territórios ocupados.

Na quinta-feira, Netanyahu deve reunir seu gabinete centro-direitista para discutir um pacote de medidas, preparado em Washington por assessores dele e de Obama, destinado a conquistar a confiança dos palestinos.

"Achamos que encontramos uma forma de ouro que permitiria que os americanos levassem o processo de paz adiante, mas preservando nossos interesses nacionais", disse Netanyahu antes de embarcar.

(Reportagem adicional de Allyn Fisher-Ilan em Jerusalém)

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