Netanyahu decepciona e não mostra clareza sobre processo de paz

Ingrid Haack Berlim, 27 ago (EFE).- O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, terminou hoje em Berlim sua viagem europeia com uma mensagem decepcionante para que esperavam gestos concretos para o processo de paz no Oriente Médio.

EFE |

Em entrevista coletiva com a chanceler alemã, Angela Merkel, Netanyahu desmentiu haver chegado a um acordo com os Estados Unidos para congelar a ampliação dos assentamentos judaicos na Cisjordânia.

"São rumores que não têm base", afirmou o primeiro-ministro, que ressaltou que "há esforços por eliminar divergências", mas insistiu em que "não é certo que haja decisões" a esse respeito.

Com isso se referiu a informações divulgadas pela imprensa britânica e israelense, segundo as quais Netanyahu teria aceitado parar por nove meses a construção de assentamentos na Cisjordânia, embora não em Jerusalém Oriental, que Israel considera como bairro e parte da sua capital legítima.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP), no entanto, pôs como condição para relançar o diálogo a suspensão de construção de qualquer assentamento, não unicamente na Cisjordânia e incluindo as 2.500 que estão em curso com dinheiro estatal e outras muitas que se estão edificando ilegalmente.

Merkel evitou entrar em detalhes sobre o andamento das negociações que qualificou de "bilaterais" entre EUA e Israel, mas ressaltou que parar as construções dos assentamentos é algo "decisivo" para relançar o processo de paz.

Netanyahu reafirmou sua intenção de "encontrar os caminhos" que sirvam para a reativação do processo, mas insistiu é prioridade que, por parte palestina, "se reconheça meu país como um Estado judeu".

Ressaltou que desde que assumiu a chefia do Governo há cinco meses, Israel deu uma série de passos pela paz com os palestinos, como eliminar vários pontos de controle e abrir a passagem sobre o Rio Jordão, o que, ressaltou, serviu, para ajudar a reativar a economia palestina.

Outro tema de debate em Berlim foi o pedido de apoio de Merkel por uma linha mais dura contra o Irã.

O primeiro-ministro insistiu em que a comunidade internacional deve fazer frente a uma ameaça que não só põe em perigo a paz da região mas também de todo o mundo.

Por isso, acrescentou, o Irã necessita "sanções que façam dano", que partam da ONU ou de "uma coalizão de voluntários".

Merkel compartilhou a necessidade de aumentar a pressão contra o Irã, por exemplo, mediante sanções energéticas ou financeiras, caso Teerã não mostre vontade na polêmica nuclear.

No entanto, a chanceler insistiu na necessidade de obter o apoio da China e Rússia, pois sem estas grandes potências, nenhuma das medidas que se possam empreender terá a eficácia necessária.

Nem Merkel nem Netanyahu quiseram dar detalhes sobre supostos avanços nas gestões para conseguir a libertação do soldado israelense Gilad Shalit, aprisionado por um comando palestino perto da fronteira com Gaza em junho de 2006.

O porta-voz do movimento Hamas em Damasco, Osama Hamedan, confirmou à agência alemã DPA a mediação alemã e, além disso, se mostrou satisfeito com o curso das negociações, encaminhadas para trocar Shalit por 450 prisioneiros palestinos. EFE ih-gc/fk

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