Netanyahu dá o toque final em seu governo para a posse de terça-feira

O futuro primeiro-ministro israelense de direita, Benjamin Netanyahu, atribui nesta segunda-feira a membros de seu partido as últimas pastas de seu governo, cuja posse na terça-feira vem gerando preocupações a respeito da continuidade das negociações de paz com os palestinos.

AFP |

"Netanyahu apresentará na noite de terça-feira seu gabinete para a posse na Knesset", o Parlamento israelense, indicou à AFP uma fonte do Likud, o partido de Netanyahu, sob anonimato.

Enquanto isso, Netanyahu, que enfrenta uma certa resistência entre seus partidários, se dedica a um exercício de alta tensão repartindo a membros do Likud (27 deputados) os cargos ministeriais ainda vagos ou criando outros.

"Ignoramos ainda a parte exata que nos será reservada neste governo, mas o importante é que ele está começando a funcionar", declarou à AFP Gilad Erdan, futuro deputado do Likud para uma função ministerial.

O governo, o 32º da história de Israel, terá 30 ministros e seis vice-ministros.

O Likud deve se contentar com uma parcela reduzida, de 12 pastas no melhor dos casos, entre elas a das Finanças, a de Educação, Transportes, Telecomunicações, Meio Ambiente, Cultura e Esportes.

"De qualquer forma, há muitas decepções no partido, mas é o preço de uma coalizão ampla, sólida e estável", disse um alto dirigente do Likud citado nesta segunda-feira pelo jornal Haaretz.

A coalizão formada por Netanyahu reúne, além do Likud, Israel Beiteinu (extrema direita nacionalista, 15 deputados), os trabalhistas (esquerda, com 13), o Shass (ortodoxo sefardim, com 11) e o Lar Judeu (colonos, 3).

O ministério das Relações Exteriores foi atribuído a Avigdor Lieberman, líder de Israel Beiteinou, o da Defesa ao número um trabalhista, Ehud Barak, já titular da pasta no governo atual, e o do Interior ao chefe do Shass, Eli Yishaï.

Netanyahu afirmou que deseja realizar com a Autoridade Palestina do presidente Mahmud Abbas negociações para uma "paz econômica", mas recusa a criação de um Estado palestino ao lado de Israel e o congelamento da colonização judaica na Cisjordânia.

Mas ele pagou cargo para não ser refém de seus aliados naturais de extrema direita com exigências radicais, associando o Partido Trabalhista à sua coalizão.

Com isso, ele trabalhou duro para conduzir uma política pragmática evitando um confronto com a administração americana e a União Europeia, que querem relançar o processo de paz no Oriente Médio.

O presidente israelense, Shimon Peres, decidiu encurtar sua visita à República Tcheca, que ele iniciou nesta segunda-feira, para participar da cerimônia de posse na Knesset.

Ele tentou tranquilizar no domingo a União Europeia e a comunidade internacional, afirmando que o próximo governo dará continuidade ao processo de paz com os palestinos.

ChW/lm/fp

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