Daniela Brik. Jerusalém, 1º abr (EFE).- O novo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, assumiu hoje o maior Governo da história de Israel e que rejeita a solução de dois Estados para o conflito com os palestinos.

O novo premiê, que já ocupou a chefia do Governo israelense entre 1996 e 1999, apresentou seu gabinete em um ato oficial perante o presidente de Israel, Shimon Peres, que lembrou o que a comunidade internacional espera de Netanyahu no processo de paz.

Peres pediu para que o primeiro-ministro "fortaleça a segurança de Israel e se esforce para fazer o processo de paz avançar em todas as frentes".

E, sutilmente, o presidente israelense lhe pediu para que reconheça a fórmula de "dois Estados para dois povos", aceita na conferência de paz de Annapolis (Estados Unidos) "pela comunidade internacional e pelo Governo de Israel anterior".

Netanyahu respondeu com o silêncio, mas o novo titular da pasta Assuntos Exteriores israelense e líder do partido ultradireitista Yisrael Beiteinu, Avigdor Lieberman, deixou clara a posição do Governo de Israel pouco depois, ao rejeitar qualquer ligação com os compromissos de Annapolis.

"A conferência de Annapolis não tem validade", disse Lieberman durante seu discurso, ao se referir à cúpula realizada em novembro de 2007 nos EUA.

Em declarações dadas hoje à agência palestina de notícias "Wafa", o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, disse que "Netanyahu nunca acreditou na solução de dois Estados, não aceitou os acordos assinados e não quer interromper a construção de assentamentos".

Segundo Abbas, o mundo deve saber "que este homem (Netanyahu) não acredita na paz e pressionar a comunidade internacional para que assuma suas responsabilidades".

Parece que a população israelense também não dá muito crédito ao novo Executivo, segundo revela uma pesquisa divulgada hoje pelo jornal "Ha'aretz", na qual 54% dos entrevistados dizem estar insatisfeitos com o mesmo.

O novo gabinete assumiu hoje suas funções após receber ontem a aprovação do Parlamento israelense (Knesset), em cerimônia de transferência de poder que pela primeira vez foi realizada diante do chefe do Estado.

Netanyahu pediu a todos os ministros para que "protejam o Estado de Israel" para que "ele proteja" os israelenses.

Para alguns, tal fala do primeiro-ministro foi uma alusão ao programa nuclear do Irã, assunto central de seu discurso de posse ontem no Knesset, junto com o "crescente islamismo radical".

Participaram do ato de hoje tanto ministros do Governo em fim de mandato quanto os do que assume agora, aos quais o já ex-primeiro-ministro israelense Ehud Olmert disse que encerra suas funções "com uma sensação de satisfação".

Olmert renunciou há alguns meses devido a graves suspeitas de corrupção, decisão que travou as negociações de paz com a ANP.

"Durante todo o período em que fui primeiro-ministro, atuei para trazer a paz ao povo de Israel. Assim o fiz na crença de que é possível consegui-la", disse o ex-chefe de Governo.

Netanyahu se comprometeu a buscar a paz com os vizinhos árabes de Israel, mas suas propostas são, por enquanto, ambíguas e se concentram em uma "paz econômica" que leve prosperidade aos territórios palestinos.

Perguntado sobre o "convite" de Peres para continuar as negociações de paz iniciadas em Annapolis, o novo primeiro-ministro manteve a postura ambígua.

"Escutei com atenção e atuarei guiado por um sentido de responsabilidade e pela necessidade da unidade (nacional)", respondeu Netanyahu. EFE elb-db/bba

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