Netanyahu assume governo em meio a descontentamento palestino

O novo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, assumiu nesta quarta-feira oficialmente o cargo, à frente de um governo de direita e ao mesmo tempo que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, o acusou de não acreditar na paz.

AFP |

Durante a cerimônia de transferência de poder na sede da presidência israelense, o presidente Shimon Peres pediu a Netanyahu que aceite o princípio de um Estado palestino ao lado de Israel.

"O governo deve mobilizar esforços supremos para progredir no processo de paz em todas as questões", disse Peres.

"O governo anterior (de Ehud Olmert) aceitou a visão de dois Estados para dois povos lançada pelo governo americano e adotada pela maior parte da comunidade internacional, e seu governo deve adaptar-se a esta realidade".

O presidente palestino, Mahmud Abbas, deixou bem clara a opinião que tem do novo primeiro-ministro israelense, ao afirmar que ele não acredita na paz e pedir à comunidade internacional que pressione o novo chefe de Governo israelense a aceitar um Estado palestino.

"Benjamin Netanyahu não aceita a solução de dois Estados ou os acordos já assinados, e não quer interromper a colonização. Isto está claro", afirmou Abbas.

"Devemos dizer ao mundo que este homem não acredita na paz. É necessário passar a bola para o mundo inteiro, para que o pressione e para que o mundo assuma suas responsabilidades", completou o dirigente palestino.

Para complicar ainda mais a situação, o novo ministro israelense das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman (ultradireita), afirmou que Israel não é obrigado pelos compromissos adotados na conferência de Annapolis (Estados Unidos, novembro de 2007) a aceitar a criação de um Estado palestino.

"Há apenas um documento que nos vincula e não é a conferência de Annapolis (...), somente o Mapa do Caminho", declarou Lieberman durante a cerimônia de passagem de poder junto a sua antecessora, Tzipi Livni.

"O governo israelense e a Knesset (parlamento unicameral israelense) jamais adotaram Annapolis", afirmou Lieberman.

O Mapa do Caminho é o plano de paz elaborado pelo Quarteto Internacional para o Oriente Médio (Estados Unidos, União Europeia, Russia e ONU) e que prevê a criação de um Estado palestino junto ao Estado hebreu.

O plano foi lançado em 2003, mas desde então foi praticamente abandonado.

Em Annapolis, o então primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, e o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, concordaram em reativar as negociações de paz para alcançar um acordo sobre a criação de um Estado palestino como prevê o Mapa do Caminho.

Em função da declaração de Liberman, um dirigente palestino afirmou, por sua vez, que o novo chanceler israelense é um verdadeiro "obstáculo para a paz".

Em Gaza, o movimento radical Hamas, que teve a derrubada defendida por Netanyahu durante a campanha eleitoral, afirmou que "não existe diferença entre os diferentes governos sionistas", mas completou que o de Netanyahu "é mais claro em seu programa racista e de negação dos direitos do povo palestino".

Na terça-feira, Netanyahu disse que estava disposto a negociar um acordo de paz com a Autoridade Palestina, mas sem falar de um Estado palestino, que em nenhum momento é mencionado em seu programa de su governo.

O emissário especial do Quarteto para o Oriente Médio, Tony Blair, pediu ao novo governo israelense que se comprometa com uma solução de dois Estados.

Em Israel, a maioria da população se declara insatisfeita com o governo de Netanyahu, que foi aprovado por 69 deputados contra 45, dos 120 da Knesset (Parlamento unicameral).

Segundo uma pesquisa publicada no jornal Haaretz, 54% dos israelenses afirmam estar descontentes com o novo gabinete de 30 ministros, que consideram inchado e ineficaz, contra 30% de satisfeits e 16% sem opinião formada.

bur/fp/cn

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