Netanhayu se reúne com direita religiosa após eleições

O líder do Likud e provável novo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu se reúne nesta quinta-feira com os dirigentes da direita religiosa, contrária a qualquer concessão aos palestinos, para tentar associá-los a sua equipe.

AFP |

Netanhayu terá os encontros em um momento de crescente preocupação da comunidade internacional, que teme que um governo israelense muito marcado à direita enterre de vez o processo de paz na região.

Neste contexto, Estados Unidos e Europa insistiram para que Israel continue com os esforços a favor de um acordo de paz.

Segundo a rádio pública, Netanhayu se encontra nesta quinta-feira com os representantes dos dois partidos da direita religiosa, que reúnem sete deputados do total de 120 que formam a Knesset (Parlamento de Israel).

Na quarta-feira, ele se reuniu com Avigdor Lieberman, líder do partido de extrema-direita laico Israel Beitenu que com 15 deputados passará a ser a terceira formação do Parlamento. Lieberman expressou sua preferência por um governo de direita mas não descartou outras candidaturas.

Em todo caso, a imprensa e analistas concordam que Netanyahu será o próximo primeiro-ministro de Israel.

De fato, por falta de aliados políticos, a líder do Kadima (centro), Tzipi Livini, não tem nenhuma chance de formar um governo, apesar de seu partido ter uma cadeira a mais que o Likud.

Livni só pode contar por ora com os 28 deputados do Kadima, já que nem as próprias formações de esquerda, que saíram muito enfraquecidas da eleição, manifestaram apoio ao nome dela.

Os líderes do Partido Trabalhista, que caiu de 19 para 13 cadeiras no Parlamento, já avisaram que passarão à a oposição, pois não conseguem sequer pensar em formar um gabinete com Livni.

"A tendência é que os trabalhistas não proponham nenhum candidato para o cargo de primeiro-ministro", declarou à AFP o porta-voz do partido, Lior Rothblat.

"As chances de Livni formar um governo estão próximas de zero", considerou o analista político Abraham Diskin.

"É preciso parar com esse circo midiático. Ela não pode continuar pretendendo ter sido eleita pelo povo para assumir a direção do país só porque seu partido tem uma cadeira a mais no Parlamento", declarou à AFP este professor da Universidade Hebraica de Jerusalém.

A grande questão é saber se Netanyahu formará um governo restrito com Lieberman, ou ampliado com a participação do Kadima, sua opção favorita.

Todos os jornais israelenses descartaram a possiblidade de um governo dirigido por Livni, mesmo na hipótese pouco provável de ela conseguir o apoio de Lieberman.

"Mesmo que Lieberman quisesse, não poderia fazer de Livni a chefe do governo", afirma o editorial do jornal Yediot Aharonot.

Para o jornal liberal Haaretz, "Livni derrotou a esquerda nas eleições, mas foi derrotada pela direita".

ms/yw/fp

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