Nestor Kirchner renuncia à liderança do partido peronista na Argentina

O ex-presidente da Argentina e líder do partido peronista, Nestor Kirchner, confirmou, nesta segunda-feira, sua renúncia à Presidência do Partido Justicialista, a maior legenda do país. Vou continuar trabalhando com toda a minha força para o peronismo e para responder às coisas fundamentais que a Argentina precisa.

BBC Brasil |

Mas, quando um resultado não é o que se esperava, a gente tem que tomar as atitudes que correspondem", disse.

O anúncio de Kirchner foi feito um dia após a derrota da lista que ele encabeçava nas eleições legislativas para a lista do candidato opositor, Francisco de Narváez, da União-PRO, na Província de Buenos Aires, maior distrito eleitoral argentino.

No lugar de Kirchner, assumirá a Presidência do peronismo o vice-presidente do PJ e atual governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli.

O pleito legislativo argentino é por proporcionalidade, o que significa que tanto governo como oposição terão presença no Congresso â¿ caso de Nestor Kirchner, por exemplo.

O governo, no entanto, deve perder parte do poder político que tinha.

Derrota
Em sua primeira aparição após a eleição legislativa de domingo, a presidente Cristina Kirchner reconheceu, nesta segunda-feira, a derrota do governo na Província de Buenos Aires, mas minimizou as perdas como um todo.

"Reconheço a derrota na província de Buenos Aires. (..) Mas acho importante destacar que tivemos 5,9 milhões de votos (31% do total dos votos válidos). Que a segunda força política (opositora de centro-esquerda) teve 5,5 milhões e o PRO (de Francisco de Narváez), 3,3 milhões (18,50%) ".

Cristina acrescentou que, dos 37 senadores que o governo tinha, passou a ter 35, e, na Câmara dos Deputados, dos 115 votos próprios e 22 aliados, passou a contar com 107 votos e 27 possíveis aliados.

As declarações da presidente levaram as principais emissoras de televisão do país, como a TN (Todo Noticias), a dizerem que ela estava "minimizando a derrota".

Cristina afirmou ainda que, após os resultados das eleições, terá que negociar os projetos do governo com a oposição no Congresso.

"De qualquer maneira, o resultado vai exigir exercício de acordo e de consenso para gerar governabilidade", disse Cristina.

Mapa político
As derrotas do governo mudam o mapa político na Argentina pela primeira vez desde 2003, quando Nestor Kirchner assumiu a Presidência do país.

A eleição legislativa do último domingo teve como resultado uma maior influência da oposição na Câmara dos Deputados e no Senado. Apesar disso, a opinião de analistas políticos é que nenhuma das forças políticas passará a ter a maioria absoluta nas duas casas.

O resultado do domingo, no entanto, levou o governo a perder a maioria no Congresso Nacional.

Após a derrota e a renúncia de Kirchner, analistas especulam que Cristina poderia ter que negociar a aprovação de seus projetos já a partir de agora, com o Parlamento atual. Os novos deputados e senadores assumem em dezembro.

"É preciso ver como os peronistas vão se comportar a partir de agora no Parlamento. Os peronistas são assim: eles acompanham seus chefes até a porta do cemitério, mas não entram", diz o analista político Edgardo Alfano.

Segundo o analista, tradicionalmente os peronistas costumam acompanhar líderes vencedores e, ao sinal de derrota, afastam-se, unindo-se a outros líderes.

Foi o que ocorreu desde o retorno da democracia, em 1983, com os ex-presidentes Carlos Menem (1989-1999) e Eduardo Duhalde (2002-2003).

O peronismo é um movimento político fundado pelo presidente argentino Juan Domingo Perón, morto em 1974.

Perspectivas
De acordo com analistas das consultorias Poliarquia Consultores e do Centro de Estudos Nova Maioria, as eleições legislativas de domingo indicaram que os principais vencedores e possíveis candidatos à sucessão presidencial em 2011 seriam o vice-presidente do país, Julio Cobos, o ex-governador da província de Santa Fé, Carlos Reuteman, e o prefeito da cidade de Buenos Aires, Mauricio Macri.

Cobos e Reuteman afastaram-se do governo Cristina no ano passado, durante a disputa entre o setor rural e a Presidência do país.

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