Néstor Kirchner é eleito secretário-geral da Unasul

Campana (Argentina), 4 mai (EFE).- O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner foi eleito hoje por unanimidade secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e em seguida jurou o cargo, durante a cúpula extraordinária do bloco realizada em Campana (Argentina).

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Campana (Argentina), 4 mai (EFE).- O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner foi eleito hoje por unanimidade secretário-geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e em seguida jurou o cargo, durante a cúpula extraordinária do bloco realizada em Campana (Argentina). Kirchner, de 60 anos, marido e antecessor no cargo da atual governante argentina, Cristina Kirchner, conseguiu superar as resistências a sua candidatura por parte do Uruguai, Colômbia e Peru, e foi designado pelo acordo unânime do bloco, com a abstenção da Argentina por se tratar de um ex-presidente do país. "Vou me abster, não vou emitir nenhuma opinião a respeito", brincou Cristina Kirchner, anfitriã da cúpula, referindo-se à escolha do marido ao cargo máximo da organização. Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Néstor Kirchner "tem experiência" como dirigente para exercer a liderança na região acima das diferenças ideológicas. Na qualidade de presidente pro tempore da Unasul, o líder equatoriano, Rafael Correa, tomou juramento de Néstor Kirchner. O ex-presidente argentino jurou "exercer com lealdade" o cargo, "velando pelo cumprimento" dos tratados e acordos entre os membros da Unasul, bem como fazer "todos os esforços para continuar consolidando" o bloco regional. Segundo Correa, o secretário-geral executará em tempo integral o cargo, buscando a integração da América do Sul. De acordo com o presidente equatoriano, "é preciso uma figura de muito peso e de muita liderança para evitar controvérsias, porque às vezes os próprios ministros contradizem as decisões dos presidentes". A designação do secretário-geral, tema central da cúpula extraordinária de presidentes da Unasul, foi resultado de um consenso, dois anos depois de Kirchner fracassar em sua tentativa de ocupar o cargo pelo veto do Uruguai e as reservas da Colômbia e do Peru. Em um clima descontraído, com as notáveis ausências dos presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, e do Peru, Alan García, os líderes da região elogiaram a escolha do primeiro secretário-geral da Unasul. "Incondicional, sem que ninguém tenha nos imposto condições, acompanhamos o consenso dos presidentes" em favor de Kirchner, apontou o presidente uruguaio, José Mujica, ao anunciar seu apoio ao ex-presidente da Argentina. No entanto, Mujica afirmou que ainda não está resolvido o conflito bilateral entre Uruguai e Argentina na questão da construção de uma papeleira às margens do rio Uruguai, na fronteira entre os dois países. O chanceler da Colômbia, Jaime Bermúdez, explicou que seu país acompanha a nomeação de Kirchner e considerou que "não há dúvida sobre a necessidade de fortalecer a liderança da Unasul". Na Colômbia, "há eleições em três semanas, mas venho dar a saudação especial ao presidente do Equador, Rafael Correa, pelo papel que exerceu e pelos fatos concretizados na Presidência pro tempore da Unasul", destacou. Por sua vez, o chanceler peruano, José Antonio García Belaúnde, expressou o apoio de seu país a Kirchner como "manifestação de vontade política" e "muito consciente do que deve ser" a integração na Unasul. O presidente boliviano Evo Morales expressou "todo o apoio" para o secretário-geral, um cargo que para ele equivale ao de "primeiro presidente da América do Sul". "Apoiamos fervorosamente a candidatura e nos colocamos à disposição do secretário-geral, independentemente da posição ideológica de cada um, basta apenas que nos respeitemos", disse o líder venezuelano, Hugo Chávez. O paraguaio Fernando Lugo ressaltou que a nomeação do secretário-geral "é saldar em parte essa dívida histórica de continuar construindo o sul do continente na unidade e na solidariedade". O chileno Sebastián Piñera, por sua vez, também apoiou o ex-presidente da Argentina e pediu aos parceiros da Unasul a fixarem metas e projetos ambiciosos para consolidar o organismo. Conflitos bilaterais e divisões internas tinham impedido até agora a escolha do secretário-geral da Unasul, cargo para o qual inicialmente foi designado o ex-presidente equatoriano Rodrigo Borja Cevallos, que renunciou em maio de 2008, apenas um mês após ser nomeado, por divergências ente os países do bloco. EFE mar/sa

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