Rei Gyanendra do Nepal pode ser obrigado a abdicar" / Rei Gyanendra do Nepal pode ser obrigado a abdicar" /

Nepal realiza eleições históricas de transição da monarquia para república

O Nepal elegerá, nesta quinta-feira, uma Assembléia Constituinte em eleições históricas que deverão desencadear o fim da monarquia e a proclamação de uma república, consagrando o acordo de paz de 2006 com os maoístas que pôs fim a dez anos de guerra civil. http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/04/07/o_rei_gyanendra_do_nepal_pode_ser_obrigado_a_abdicar_1262335.htmlRei Gyanendra do Nepal pode ser obrigado a abdicar

AFP |

Cerca de 18 milhões de eleitores foram convocados a votar nas primeiras eleições nacionais desde 1999, que elegerão uma câmara encarregada de redigir uma nova Constituição para este estratégico reino encravado entre Índia e China, separado do Tibete pela grande cadeia montanhosa do Himalaia.

O Nepal é um dos países mais pobres do mundo e sua sociedade está estritamente dividida em castas. Os ex-guerrilheiros maoístas, incluídos na lista de grupos terroristas internacionais elaborada pelos Estados Unidos, obtiveram popularidade prometendo pôr fim à pobreza endêmica que afeta 31% dos 27 milhões de habitantes.

A Assembléia Constituinte deverá votar a transformação da única Monarquia Hinduísta do mundo em uma República Federal, depois de 239 anos da dinastia real dos Shah, segundo um acordo concluído em dezembro entre sete partidos políticos e os maoístas, reunidos em torno de um governo de coalizão desde abril de 2007.

Uma situação semelhante era inconcebível há dois anos, quando toda a classe política nepalesa, da direita moderada à esquerda comunista, se aliou aos maoístas nas manifestações democráticas no início de 2006, obrigando o autocrático rei Gyanendra a renunciar aos seus poderes absolutos.

Mas o acordo de paz de 21 de novembro de 2006, que pôs fim a uma década de "guerra popular" maoísta, continua frágil, destacam os analistas, que temem uma nova onda de violência como a que custou a vida de aproximadamente 13 mil pessoas e arruinou a economia do país.

"Sem lugar para monarquia"

A MINUN supervisiona há um ano e meio o processo de paz.

O chefe da MINUN, Ian Martin, pediu que "a violência não ocorra de forma alguma nestas eleições".

O ex-líder insurgente Prachanda, um professor que se tornou candidato revolucionário à presidência da república, afirma que "já não há lugar no Nepal para nenhuma forma de monarquia".

Apesar de o rei Gyanendra ser "odiado", muitos de seus súbditos o consideram a encarnação do deus hindu Vishnu e permanecem fiéis a uma forma de "monarquia simbólica", segundo as pesquisas.

"Se os maoístas pegarem novamente em armas e chegarem ao poder, os hindus responderão. Será pior que a 'guerra popular' maoísta e muita gente morrerá", advertiu um conselheiro real, o general Bharat Keshwer Simha.

Os maoístas acusaram "generais que seguem fiéis ao rei de conspirar (...) para armar um golpe de Estado" e impedir a abolição da Monarquia.

Como nenhum partido obterá a maioria nesta quinta-feira, o International Crisis Group (ICG) teme "um período pós-eleitoral difícil e perigoso".

"Os grandes perdedores (das eleições), em particular os maoístas, poderão inclusive ser tentados a rejeitar a eleição", teme este influente círculo de reflexão para a resolução de conflitos, com sede em Bruxelas.

Pequeno atentado

Pelo menos uma pessoa ficou ferida na segunda-feira em um atentado a bomba nas imediações de um complexo das Nações Unidas em Katmandu, capital do Nepal, informou a polícia.

"Uma pequena bomba explodiu em Novo Baneshwor (um mercado de Katmandu), ferindo uma pessoa. O artefato explodiu próximo do escritório da Missão das Nações Unidas no Nepal" (MINUN), declarou Sushil Barsingh Tapa, um oficial da Polícia.

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