Nepal aguarda formação de novo Governo após renúncia de primeiro-ministro

Nepal - A República do Nepal espera a formação de um novo governo, previsivelmente liderado pelos maoístas, após o ainda primeiro-ministro do país, Girija Prasad Koirala, apresentar hoje sua renúncia à Assembléia Constituinte.

EFE |

"Anuncio minha renúncia do cargo de primeiro-ministro perante a Assembléia Constituinte", declarou Koirala, de 84 anos.

"A cooperação e a unidade são a nossa força e devemos continuar neste caminho", declarou Koirala.

Os sete partidos do atual Governo assinaram ontem um acordo de 22 pontos que destravou as negociações do último mês, após as quais estava previsto que Koirala apresentasse sua renúncia para a formação do novo Executivo.

"Os partidos políticos estão perdidos em uma selva", declarou Koirala, que acrescentou que "o país agora está confuso".

Renúncia

A renúncia de Koirala deveria ser aceita pelo presidente da recém-proclamada República, mas como ninguém ainda ocupa este cargo, o líder do Partido do Congresso Nepalês (NCP) continuará sendo formalmente o primeiro-ministro, por enquanto.

O porta-voz do Partido Comunista do Nepal-Maoísta (CPN-M), legenda que venceu as eleições de 10 de abril, Krishna Bahadur Mahara, afirmou à Agência Efe que Koirala "abriu caminho para a formação de um novo Governo" com seu anúncio.

"Tentaremos encontrar um consenso", declarou Mahara sobre a possibilidade de os maoístas liderarem o novo Governo, já que o CPN-M deve ser apoiado por outras forças políticas.

Mahara destacou que agora a Constituição deverá ser emendada a partir do documento assinado ontem pelos sete partidos do Governo, após o qual será eleito um novo presidente e será formado um novo Executivo, com seu correspondente chefe de Governo.

Acordos

Os partidos se comprometeram com seu acordo a integrar os ex-guerrilheiros maoístas no Exército nepalês nos próximos seis meses, um dos pontos de desacordo que causou um impasse político no país.

Segundo o documento, o Governo também pedirá às Nações Unidas que continuem sua missão de supervisão do desarmamento dos ex-guerrilheiros maoístas por mais seis meses.

A missão da ONU termina em 22 de julho, por isto o Conselho de Segurança deverá decidir se amplia ou não a missão assim que receber um pedido formal do Governo nepalês neste sentido.

A eleição do primeiro-ministro e do presidente, que finalmente serão escolhidos por maioria simples, era outro dos pontos de desacordo entre os partidos, assim como as funções dos futuros chefes de Estado e de Governo.

O processo de paz iniciado no final de 2006 após dez anos de guerra entre o Governo e a antiga guerrilha maoísta deveria terminar agora com a formação de um novo Governo no Nepal, que proclamou a República em 28 de maio e encerrou com quase 240 anos de Monarquia.

Koirala foi um dos artífices do processo de paz e é uma das figuras políticas mais destacadas do Nepal.

Nascido em uma família de fazendeiros, Koirala assumiu a chefia de Governo em quatro ocasiões (1991-1994, 1998-1999, 2000-2001 e 2006-2008).

No entanto, o líder do NCP não conseguiu vencer as eleições de abril, nas quais os maoístas venceram como partido mais votado (220 das 601 cadeiras da Assembléia Constituinte), frente às 110 de sua legenda, a segunda mais votada.

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