Nem tudo é glamour no Oscar

Antonio Martín Guirado Los Angeles (EUA), 6 mar (EFE).- Na edição anual do Oscar, nem tudo é glamour, já que há muita gente que trabalha para a ocasião, outros que estão dispostos a trapacear para ver de perto os ídolos e muitos que têm que alugar um smoking para estar à altura das pompas da cerimônia.

EFE |

Muita gente está em Los Angeles nesta semana por ocasião da entrega dos prêmios Oscar e a maioria delas são rostos anônimos.

Desde os cozinheiros encarregados pelo cardápio que degustarão os convidados, passando pelos hoteleiros que sobem as tarifas em mais de 50%, até aqueles que trabalham horas extras contra o tempo para preparar o Teatro Kodak.

Cabeleireiros, choferes de limusines, alfaiates, desenhistas, floristas e outros comerciantes fazem plantão, especialmente nas 48 horas prévias à gala.

"São dois dias frenéticos, as pessoas esperam até o fim", disse à Agência Efe o alfaiate Mike Topalian, que veste dezenas de convidados para a ocasião.

No domingo, dezenas de milhões de espectadores acompanharão pela televisão a 82ª edição do Oscar, um evento pelo qual alguns estão dispostos a pagar até US$ 20 mil para ver de perto.

Pelo tapete vermelho de Hollywood passarão inúmeras celebridades vestidas nos mais glamourosos trajes de gala, em um evento bastante tentador para aqueles que desejam ver de perto os ídolos. Mas o acesso à área estará interditado para pedestres.

Simri Soto, um jovem mexicano que trabalha como porteiro no edifício em frente ao Teatro Kodak, de onde há um bom acesso visual ao tapete vermelho, tem histórias para contar.

"As pessoas sempre oferecem dinheiro porque querem a melhor visão ou o lugar mais próximo para ver e filmar tudo. Mas não as aceitamos, por mais que nos implorem", disse Soto todo orgulhoso à Agência Efe. "Não deixamos passar nem policiais com rifles" acrescentou.

Soto explicou que seu chefe recebeu ofertas de até US$ 20 mil dólares por permitir a entrada ao terraço do edifício. "Meu chefe teve a possibilidade de aceitá-lo, mas não o fez", declarou.

Entre os que comentam esses detalhes está o mexicano David Torres, que há 20 anos ajuda a montar o palco do teatro.

"Para mim é trabalho, não há nenhuma emoção. Quando tudo isso terminar, continuarei ajudando a organizar outras cerimônias", apontou.

Os prêmios Oscar, no entanto, atrairão a atenção de todo o mundo.

Há mais de 250 veículos de imprensa credenciados para a cerimônia. A organização do evento distribuiu cerca de 2 mil credenciais para os jornalistas.

Todos eles, pelo menos os homens, terão algo em comum: o smoking, traje obrigatório para assistir à cerimônia. O que vai variar são os modelos e cores.

Os jornalistas mais sortudos, assim como os próprios atores e alguns apresentadores de televisão, vestirão trajes emprestados pelas grandes marcas. É o caso de Edgardo Gazcón, da emissora "Telemundo", que usará um Valentino cujo preço no mercado é de aproximadamente US$ 4 mil.

"Mas vou comprar uma gravata borboleta de US$ 10", disse Gazcón à Agência Efe.

Outros, no entanto, terão de se contentar em alugar um black-tie da forma mais barata possível. O preço varia entre US$ 60 e US$ 75 por traje.

O armênio Topalian, de 67 anos, é gerente de uma loja para a compra e aluguel de smokings desde 1992, a poucos metros do teatro Kodak, assegura que este é "o melhor momento do ano" para seu negócio.

"É temporada de prêmios e isso é bom para nós, mas os prêmios Oscar aumentam a carga de trabalho. Mesmo assim, ainda se pode notar os efeitos da crise. Até as pessoas de Hollywood, que jamais se preocupavam com o orçamento, se certificam de que obtém os melhores preços possíveis", comentou Topalian à Agência Efe.

De todas formas, as receitas de seu negócio, no qual conta com trajes Calvin Klein, Ralph Lauren e Chaps, aumentam até 50% graças à cerimônia.

Topalian, que veste anualmente celebridades da televisão americana, geralmente trabalha com baixos ou médios orçamentos e se surpreende quando alguém lhe pede coisas "caras".

"Um cliente japonês me disse que tinha como limite US$ 1 mil para comprar um smoking. Mostrei a ele o melhor que tinha e mesmo assim ficava abaixo desse valor. O curioso é que ele depois até me pediu um desconto", comentou entre risos. EFE mg/sa

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