Negociador palestino não acredita em acordo com israelenses ainda este ano

Jerusalém, 21 ago (EFE).- O chefe da equipe negociadora palestina, Ahmed Qorei, disse hoje não acreditar ser possível alcançar um acordo de paz com Israel ainda este ano, informou em comunicado de imprensa.

EFE |

Qorei explicou que as dificuldades pelas quais passam as negociações, e a crise política interna israelense são os principais motivos que fazem crer que não será possível chegar a um acordo este ano, tal como ambas as partes se comprometeram na Cúpula de Annapolis (EUA), em novembro de 2007.

Qorei deixa claro em sua nota que os palestinos "não podem aceitar nada menos que a criação de um Estado independente nos territórios de 1967", e que o acordo deverá ser completo e não poderá deixar de lado nenhum aspecto do "status permanente" do futuro Estado.

Os líderes israelenses, no entanto, sugeriram que poderia se chegar a um acordo que deixasse de fora a questão de Jerusalém, que Israel reivindica como "capital eterna e indivisível do povo judeu", e cuja parte oriental é demandada pelos palestinos como capital de seu futuro Estado.

"Não vamos aceitar uma solução não inclua um Estado independente com Jerusalém Oriental como capital, e uma solução justa para o problema dos refugiados que preveja o cumprimento das resoluções internacionais", indicou Qorei.

Os negociadores palestinos exigem o reconhecimento do direito de retorno dos mais de quatro milhões de refugiados palestinos a território israelense, postura que Israel rejeita plenamente, já que poderia acabar com o caráter judeu de seu Estado.

Qorei também admitiu que a crise entre as facções palestinas, com o movimento islamita Hamas governando em Gaza e o nacionalista Fatah na Cisjordânia, não ajuda as negociações de paz.

"A divisão interna está debilitando os negociadores palestinos", assegurou, acrescentando que "a única opção que temos agora para sair da crise é iniciar um diálogo completo que tenha como objetivo acabar com a divisão e resolver todos os assuntos internos".

O primeiro-ministro deposto Ismail Haniyeh, líder do Hamas à frente do Governo em Gaza, tachou hoje de "absurdas" as conversas de paz, e disse que "a libertação de Jerusalém e da Mesquita de al-Aqsa só pode ser conseguida por meio da Jihad (guerra santa), do sangue, da resistência e dos mártires", em um comício realizado na Faixa.

Segundo Haniyeh, qualquer pacto ao qual se chegue que preveja aos israelenses qualquer concessão sobre Jerusalém "será totalmente rejeitado pelos palestinos, pelos árabes e pelos muçulmanos". EFE Sar/gs

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