Gaza, 11 mar (EFE).- O negociador-chefe da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Saeb Erekat, afirmou hoje que o reconhecimento de Israel não é uma condição que tenha sido imposta ao movimento islâmico Hamas para a formação de um Governo de unidade.

"Ninguém pediu ao Hamas nem a nenhuma outra facção que reconheça Israel, nem nenhum acordo com Washington", disse Erekat, em declarações divulgadas pela imprensa local.

No entanto, disse que deverá haver reconhecimento ao Governo palestino que for formado, se tiverem êxito as negociações para a reconciliação que o Hamas e o Fatah realizam no Cairo, e no qual o movimento islâmico estaria integrado.

O reconhecimento de Israel continua sendo um dos obstáculos que aparecem entre os dois movimentos palestinos, pois o Hamas defende a criação de um país na Palestina histórica e a destruição do Estado judeu.

Para o Fatah, signatário de acordos parciais de paz com Israel na década de 90, as fronteiras para um futuro Estado palestino são as de 1967.

Em junho de 2007, as divisões internas palestinas levaram a uma revolta do Hamas na Faixa de Gaza contra a autoridade do presidente palestino, Mahmoud Abbas, e da ANP, o que deixou esse território sob poder dos islamitas.

Quase dois anos depois, e com a mediação do Egito, os dois grupos tentam voltar a um Governo conjunto, que leve também à unificação política da Cisjordânia e de Gaza.

"Peço aos negociadores que estão no Cairo que entrem em acordo primeiro sobre as bases e o programa de Governo, antes de buscar quem o liderará", propôs Erekat, ao lembrar que esse Executivo estará comprometido com os acordos assinados pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

A OLP, da qual o Hamas não faz parte, é o organismo reconhecido internacionalmente para representar os interesses do povo palestino, e assinou em 1993 e 1994 os Acordos de Oslo que deram vida à ANP.

A imprensa palestina informa hoje que, nas negociações no Cairo, houve avanços em assuntos de segurança, mas que ainda está longe de um acordo que leve os dois grupos a um Governo conjunto. EFE sar-elb-amg/an

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