Negociador americano deixa Pequim sem conseguir acordo nuclear com Pyongyang

Pequim, 11 dez (EFE) - O negociador americano na crise nuclear norte-coreana, Christopher Hill, deixou hoje Pequim sem conseguir arrancar da Coréia do Norte um protocolo para verificar o fechamento do principal reator nuclear do país, uma crise que a Administração de George W. Bush legará ao presidente eleito, Barack Obama.

EFE |

O americano deixou hoje a capital chinesa, segundo informou à Agência Efe a embaixada dos Estados Unidos, enquanto continuava a reunião das delegações das duas Coréias, Rússia, Japão e China em uma última tentativa para definir no papel a verificação.

O encontro dos seis chefes de delegação, que começou na segunda-feira, foi até as 19h30 (hora local) de hoje em Pequim, quando foi assinado o documento pelo qual os delegados decidem retomar a atual negociação "o mais rápido possível", informaram à Efe funcionários chineses.

Com isso, o próximo encontro de um diálogo iniciado em 2003, e que não conseguiu evitar o primeiro teste nuclear norte-coreano em outubro de 2006, será realizado já no mandato de Obama, que assumirá o poder em 20 de janeiro.

O principal obstáculo na atual fase de negociação, na qual se analisa a certeza do fechamento do reator norte-coreano de Yongbyon em troca de um pacote de ajuda energética, é que Pyongyang se nega a permitir o acesso de inspetores internacionais para que coletem amostras de solo e resíduos do reator.

Estas amostras, que seriam analisadas no exterior, são fundamentais para verificar se Yongbyon não produziu mais plutônio após seu fechamento, que aconteceu no ano passado, segundo o acordo obtido no diálogo de seis lados.

A reunião que terminou hoje aconteceu após cinco meses de estagnação, nos quais Washington retirou Pyongyang de sua lista de países patrocinadores do terrorismo, em outubro, enquanto a Coréia do Norte se comprometeu a permitir a verificação do fechamento de seu arsenal, do qual só declarou até o momento Yongbyon.

No entanto, Hill afirmou hoje que a Coréia do Norte hesita em expressar no papel o que disse em palavras, e nada se sabe até agora do suposto programa secreto de enriquecimento de urânio que, segundo Washington, Pyongyang estava desenvolvendo, uma acusação que originou a crise nuclear em 2003.

A volatilidade desta crise está plasmada nas palavras do porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, que disse na quarta-feira que não descartava que o regime voltasse à "lista negra" de Bush.

"Suponho que isso será sempre possível", afirmou McCormack em entrevista coletiva reproduzida hoje pela imprensa chinesa. "Não sei muito bem os detalhes da legislação, mas acho que está baseada no comportamento. E teremos que ver que tipo de comportamento mostra a Coréia do Norte", acrescentou.

A China, anfitrião do diálogo, reconheceu hoje as divergências: "Após vários dias de discussões, há acordos, mas também diferenças", destacou o porta-voz da Chancelaria, Liu Jianchao.

Enquanto isso, a Coréia do Norte, que desde o começo defendeu seu programa perante um possível ataque americano, acusou na quarta-feira Washington de estar desenvolvendo uma corrida armamentista na Ásia.

Os EUA teriam enviado três batalhões de caças F-22, invisíveis aos radares, segundo o jornal "Rodong Sinmun", porta-voz do governante Partido Trabalhista da Coréia do Norte. EFE mz/db

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