Encontro entre os iranianos e enviados especiais de seis países marca retomada de conversas após interrupção de 15 meses

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Enviados especiais de seis países e representantes do governo do Irã estão reunidos neste sábado na cidade de Istambul, na Turquia, para pôr fim ao impasse sobre o programa nuclear iraniano.

O ministro de relações exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, cumprimenta o responsável pela segurança nacional do Irã, Saeed Jalili, em reunião na sexta-feira (13/4)
AFP
O ministro de relações exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, cumprimenta o responsável pela segurança nacional do Irã, Saeed Jalili, em reunião na sexta-feira (13/4)
O encontro entre os iranianos e os enviados dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China - o grupo chamado de P5 + 1- marca a retomada das negociações sobre o tema após uma interrupção de 15 meses.

A última rodada de conversas sobre o programa nuclear do Irã se deu em janeiro de 2011 e falhou após nenhuma das fações envolvidas ter chegado a um acordo sobre quaisquer dos temas discutidos.

A expectativa é de que as atuais negociações possam amenizar a tensão no Oriente Médio diante da potencial ameaça de um ataque contra as instalações nucleares iranianas.

O governo do Irã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos, mas críticos acusam o país de tentar desenvolver armas nucleares.

Israel vem sinalizando nos últimos meses que poderia realizar o que chama de um ataque preventivo contra as instalações nucleares iranianas.

Expectativas baixas

De acordo com o enviado especial da BBC a Istanbul, James Reynolds, as expectativas em torno do encontro são bem baixas. Os representantes da comunidade internacional não esperam que propostas de peso sejam feitas por nehum dos dois lados.

Segundo o repórter da BBC, o que os enviados dos seis países querem avaliar é se o Irã de fato está de fato disposto a dialogar com seriedade a respeito de seu programa nuclear. Caso eles avaliem que sim, uma nova rodada de negociações deverá ser convocada para dentro de quatro a seis semanas.

Michael Mann, porta-voz da área de política externa da União Europeia, afirmou que o encontrou em Istambul abriu com uma ''atmosfera postivia'' e que há ''um desejo de que se estabeleçam progressos significativos''.

Mas o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, já afirmou que esta é a ''última chance'' do Irã para que uma saída diplomática funcione. E a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que os iranianos ''precisam demonstrar claramente nas ações que propõem que eles de fato abandonaram suas ambições de construir armas nucleares''.

A Rússia, cuja política em relação ao Irã tem sido mais moderada deu uma declaração que refletiu essa postura. ''Precisamos encontrar um meio termo. As negociações visam retomar a confiança'', afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov.
No passado, a Rússia chegou a se oferecer para enriquecer o urânio iraniano em seu território, a fim de garantir que ele não seria usado em armas nucleares. Mas a proposta russa acabou não se concretizando.

'Decepcionante'

Uma fonte ligada à delegação iraniana disse à agência de notícias France-Presse que, ''por enquanto, a delegação iranana considera a posição ocidental decepcionante e desmotivante''.

Na quinta-feira, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que seu país ''segue firme em buscar seus direitos fundamentais e que mesmo sob a mais dura pressão não irá recuar de seu direito inalienável''.

Há sinais de que as atuais sanções em vigor contra o Irã poderiam ser amenizadas caso o país aceite os termos propostas na negociação.

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