Negociações fracassam no Zimbábue

Depois de quatro dias de conversações na capital Harare, as negociações para a divisão do poder no governo de coalizão no Zimbábue terminaram sem acordo nesta sexta-feira. Segundo o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, ele e o presidente Robert Mugabe não chegaram a um acordo sobre qual seria a configuração do gabinete ministerial.

BBC Brasil |

Mugabe, que governa o país desde 1980, afirmou que as negociações "foram na direção errada" .

Antes, líderes de seu partido, o Zanu- PF, acusaram Tsvangirai de ter sido intransigente durante as conversações.

Apesar das declarações, o mediador das discussões, o ex-presidente sul-africano Thabo Mbeki, afirmou que as negociações continuam e que ele ainda tem esperanças de que um acordo seja possível.

Segundo ele, as discussões devem ser retomadas na próxima semana na Suazilândia.

"As negociações continuam. Não diria que chegamos ao fim da linha. Os problemas são de fácil solução", disse Mbeki.

Troca de acusações
Segundo o líder do MDC (Movimento para a Mudança Democrática, na sigla em inglês), Morgan Tsvangirai, o motivo do congelamento nas negociações foi a falta de um acordo sobre quais ministérios ficariam com seu partido e quais ficariam com o Zanu-PF.

"Nós acreditamos que para que o governo de coalizão funcione, seria preciso que fossem adotados princípios de equidade e divisão de poder. Me parece que nós estamos muito longe deste princípio", disse Tsvangirai a repórteres.

Tsvangirai afirmou que ele e Mugabe, no entanto, concordaram em pedir que a Comunidade para o Desenvolvimento do Sul da África e a União Africana interfiram nas discussões e "usem sua sabedoria coletiva para ajudar a destravar as conversas".

Já o presidente Robert Mugabe afirmou que as negociações "foram em uma direção errada" e afirmou que divulgará um comunicado no sábado.

"Nós vamos dar mais detalhes no sábado e dizer qual caminho seguiremos", disse.

Quando chegou à reunião desta sexta-feira, Mugabe parecia otimista e disse a repórteres: "Hoje é um dia fazer acordos".

O líder de uma facção do MDC, Arthur Mutambara, que também estava presente nas negociações, afirmou que viu "muito partidarismo e ambição".

Negociações
As negociações para a divisão ministerial no Zimbábue começaram na última terça-feira.

No domingo, o líder da oposição no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, ameaçou abandonar o governo de união firmado em setembro com o presidente do país, Robert Mugabe.

O líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC) acusou Mugabe de tentar garantir todos os importantes ministérios do novo governo para seu partido, o Zanu-PF.

O MDC teria dito que se o Zanu-PF ficasse com o Ministério da Defesa, o Ministério do Interior - que cuida da polícia - deveria ser do MDC.

Notícias divulgadas nesta sexta-feira dão conta de que Mugabe teria concordado com que o MDC controlasse o Ministério das Finanças, mas não o do Interior.

A oposição acusa os serviços de segurança do país de violentos ataques a seus apoiadores antes do segundo turno das eleições, em junho.

Os dois partidos rivais concordaram em dividir o poder em um acordo firmado no dia 15 de setembro, mas desde então existe um impasse sobre a distribuição de ministérios.

De acordo com o plano original de divisão no poder no país, 15 ministérios ficariam com o Zanu-PF, 13 com o MDC e três com a facção do MDC liderada por Arthur Mutambara.

O atual impasse entre Mugabe e Tsvangirai teve origem em eleições disputadas em março, quando o líder da oposição obteve mais votos do que o veterano líder do país, mas não o suficiente para uma vitória sem segundo turno.

Tsvangirai abandonou a disputa em junho, acusando a milícia do Zanu-PF e o Exército de organizar ataques contra os partidários do MDC, matando 200 pessoas.

Crise econômica
Além da crise política, o Zimbábue também enfrenta uma grave crise econômica.

Na semana passada, foi anunciado que a inflação anual do Zimbábue atingiu 231.000.000% - um recorde mundial.

Em agosto, o governo retirou dez zeros da moeda, mas não conseguiu conter o aumento da inflação, e o Banco Central emitiu nesta segunda-feira uma nova cédula de 50 mil dólares zimbabuanos.

As Nações Unidas dizem que precisam de US$ 140 milhões para dar ajuda alimentar ao Zimbábue nos próximos seis anos.

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