Negociações entre Morales e oposição na Bolívia chegam a impasse

Por Eduardo Garcia LA PAZ (Reuters) - Depois de duas semanas de negociações, o presidente da Bolívia, Evo Morales, e um grupo de governadores contrários às reformas esquerdistas do governante continuam longe de chegar a um acordo capaz de resolver a crise responsável por provocar conflitos violentos no mês passado.

Reuters |

As negociações chegaram a um impasse devido à exigência dos governadores de que Morales faça mudanças profundas no projeto de Constituição aprovado no ano passado por uma assembléia constituinte boicotada pela oposição.

A Bolívia está profundamente dividida entre os simpatizantes da agenda socialista de Morales e uma minoria para a qual o ex-líder cocaleiro tenta transformar o país em uma nova Cuba.

Os governadores abandonaram as negociações nesta semana, depois de o governo de Morales ter detido um manifestante da oposição acusado de liderar um ataque contra uma usina de gás natural durante as violentas manifestações de setembro.

"Precisamos que o governo nacional nos diga se usará sua força para chegar a um acordo ou para continuar com a caçada humana, na qual persegue politicamente alguns líderes", disse Mario Cossio, governador do Departamento de Tarija, rico em reservas de gás natural.

Ao menos 19 pessoas morreram em conflitos ocorridos durante manifestações nas quais grupos anti-Morales depredaram prédios públicos, atacaram instalações de gás natural e bloquearam estradas.

O presidente conta com altos índices de popularidade, tendo recebido 67 por cento dos votos em um referendo de confirmação de mandato realizado em agosto. Mas os governadores da oposição também sobreviveram à votação, o que os incentivou a ampliar os protestos contra as políticas do dirigente.

Autoridades bolivianas afirmam que as negociações avançaram em alguns pontos, tais como a demanda dos governadores por uma fatia maior da renda auferida com as exportações de gás natural (o setor mais importante da economia boliviana) e por maior autonomia para seus Departamentos.

A nova Constituição, porém, continua a ser um problema.

Morales, o primeiro líder de origem indígena do país, diz que a nova Carta Magna é uma ferramenta que lhe permitirá melhorar as condições de vida da maioria indígena da Bolívia, uma fatia da população há muito tempo negligenciada. O presidente convocou um referendo para ratificar a Constituição.

Os governadores, porém, tentam bloquear o pleito e mudar o texto da Carta Magna, afirmando que ela permitiria ao presidente amealhar poderes demais.

Todos os nove governadores departamentais da Bolívia, incluindo os quatro da oposição, participam das negociações. Um outro líder da oposição está preso sob a acusação de ser o responsável pelo assassinato de 15 agricultores indígenas no Departamento de Pando (norte), em meio aos conflitos ocorridos no mês passado.

Quatro pessoas também morreram nas manifestações ocorridas nas regiões leste e central da Bolívia.

Morales, um fiel aliado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, diz que a onda de instabilidade faz parte de um plano para tirá-lo do poder. No mês passado, o presidente expulsou do país o embaixador norte-americano sob a acusação de a autoridade estar incentivando a violência. Os EUA responderam expulsando o embaixador boliviano.

É principalmente a população indígena e pobre dos altiplanos ocidentais da Bolívia que apóia Morales. As reformas dele, no entanto, encontram rechaço da maior parte da população das regiões relativamente mais ricas governadas pela oposição.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG