Naji al-Qanni. Cairo, 5 fev (EFE).- Uma delegação do movimento palestino Hamas concluiu hoje sem acordo uma nova rodada de negociações com mediadores egípcios para consolidar a frágil trégua na Faixa de Gaza, mas o diálogo continua aberto e será retomado nos próximos dias.

Os representantes do Hamas, que controla a Faixa de Gaza há um ano e meio, deixaram hoje Egito após o fim, na quarta-feira à noite, de uma série de reuniões.

As negociações acontecem entre o Hamas e Israel separadamente, com mediação egípcia.

Um dos dirigentes do Hamas neste diálogo, Salah al-Bardawil, disse à Agência Efe que, apesar de "alguns progressos", as negociações terminaram sem acordo e continuarão no fim de semana ou na segunda-feira.

"Ontem à noite, terminou a atual rodada de negociações e decidimos começar outra no domingo ou na segunda-feira, em um novo esforço para resolver os assuntos pendentes", disse Bardawil.

As declarações do dirigente do Hamas contrastam com relatórios publicados hoje no Cairo pela imprensa governamental, reproduzidos também em Israel, sobre um compromisso que teria sido alcançado sobre uma minuta de acordo que estipula um cessar-fogo de um ano e meio.

Não é a primeira vez que a imprensa governamental do Egito informa sobre um suposto acordo nas negociações que duram várias semanas e que depois não é confirmado pelos fatos.

Segundo Bardawil, as rodadas de negociações que aconteceram até agora permitiram superar 80% dos temas que estavam na mesa de diálogo.

"Não queremos repetir os mesmos erros que cometemos para a última trégua, quando Israel a descumpriu", acrescentou o dirigente do Hamas, referindo-se ao cessar-fogo de seis meses que terminou em 19 de dezembro do ano passado.

A missão do grupo islâmico, formada por membros que vivem em Gaza e no exílio, chegou ao Egito há três dias para se reunir com o chefe da mediação egípcia e diretor dos serviços de inteligência, Omar Suleiman.

O objetivo mais importante é consolidar o cessar-fogo que começou em 18 de janeiro, após três semanas de ataques israelenses e uma frágil resposta do Hamas em Gaza.

No conflito, morreram quase 1,4 mil palestinos, segundo fontes médicas de Gaza.

As autoridades egípcias queriam que o acordo definitivo fosse assinado por Hamas e Israel hoje, como prazo final, mas as conversas ficaram suspensas sem que se chegasse a esse propósito.

"Está claro que Israel quer uma trégua permanente em troca de nada. Isso significaria o final da resistência", acrescentou Bardawil, por telefone.

Segundo o negociador palestino, sua equipe tinha definido a possibilidade de assinar uma trégua de um ano ou de um ano e meio em troca da abertura das passagens fronteiriças que ligam a Faixa de Gaza a Israel e ao Egito.

Israel propôs a criação de uma zona desmilitarizada de meio quilômetro entre o Egito e a Faixa de Gaza para evitar o tráfico de armas e condicionou a reabertura da fronteira à libertação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado por facções palestinas em junho de 2006.

"Dissemos (aos mediadores egípcios) que isso é inaceitável", disse o responsável do Hamas, em relação às exigências israelenses.

O Hamas insiste em que o tema do soldado Shalit seja negociado separadamente ao acordo sobre o cessar-fogo.

Bardawil disse que, nas negociações, falou-se também sobre a reabertura da passagem fronteiriça de Rafah, entre Egito e Gaza, a única que não passa por Israel. Esta passagem está fechada há um ano e meio, e só é aberta esporadicamente por razões humanitárias.

Segundo o representante do Hamas, as conversas abordaram a possibilidade da reabertura da passagem de Rafah, depois que se chegar a um acordo sobre a trégua e for formado um Governo de unidade entre as diversas forças palestinas.

"Dissemos (aos mediadores egípcios) que há assuntos humanitários que deveriam ser abordados, e eles (os egípcios) responderam que haveria facilidades para esses casos", acrescentou. EFE nq/an

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