Negociações de paz são suspensas no Paquistão após ofensiva militar

Islamabad, 27 abr (EFE).- Pelo menos 46 rebeldes morreram em uma ofensiva do Exército paquistanês no distrito de Dir (norte) que continua hoje e que levou o grupo islâmico mediador na pacificação do vizinho vale de Swat a suspender as conversas com o Governo regional.

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"A operação vai continuar em Dir até que tenhamos garantido" o domínio da zona, disse à Agência Efe um porta-voz do Exército do Paquistão.

A ofensiva de Dir levou o grupo islâmico Tehreek-e-Nafaz-e-Shariat-e-Mohammadi (TNSM, Movimento para o Reforço da Lei Islâmica) a suspender as conversas com as autoridades enquanto os ataques durarem.

Esta decisão é importante porque o líder do grupo, o clérigo radical Sufi Mohammed, é o mediador do pacto entre os rebeldes talibãs e o Executivo.

"O Governo está rompendo o acordo de paz e causando muitas mortes", disse à Efe o porta-voz do TNSM, Izzat Khan.

Em comunicado, o Exército paquistanês informou que 20 insurgentes morreram hoje, enquanto que outros 26, entre eles o comandante talibã Qari Shahid, faleceram no domingo, dia em que a ofensiva começou.

O Governo da província da Fronteira do Noroeste ordenou às forças da guarda de fronteira para que se deslocassem à região depois da entrada de dezenas de talibãs em Dir a partir do vale de Swat nas últimas semanas.

"Não se trata de uma operação, mas de respostas", disse hoje o ministro da Informação da província, Mian Iftikhar, em declarações à imprensa, que também informou que milhares de aldeões abandonaram Dir nos últimos dois dias.

No vale de Swat, as autoridades assinaram um acordo de paz em fevereiro com os rebeldes que prevê a aplicação da "sharia" (lei islâmica) na divisão regional de Malakand, na qual todos esses distritos estão localizados.

O pacto foi respaldado pelo Parlamento nacional e assinado pelo presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, mas o avanço talibã rumo a distritos vizinhos ao vale de Swat despertou preocupação dentro e fora do Paquistão. EFE igb/bba

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