Negociações de paz entre Israel e Síria terminam na Turquia

ANCARA - As conversas indiretas de paz entre Israel e Síria iniciadas sob mediação da Turquia em Istambul terminaram após três dias de reuniões secretas, confirmou nesta quinta-feira o ministro de Assuntos Exteriores turco, Ali Babacan.

EFE |

"A linha Israel-Síria do processo de paz no Oriente Médio foi reaberta oficialmente após uma interrupção de 13 anos. Foi estabelecida uma base comum e as partes continuarão se reunindo a partir de agora", declarou Babacan à imprensa.

A reativação das conversas foi anunciada na quarta-feira em comunicados oficiais de Israel, Síria e Turquia.

"Decidimos prosseguir o diálogo de forma séria e contínua para conseguir uma paz completa segundo os termos da Conferência de Madri" de 1991 de paz por territórios, anunciaram os três países.

A mediação da Turquia foi proposta em fevereiro pelos primeiros-ministros israelense, Ehud Olmert, e turco, Recep Tayyip Erdogan.

Críticas

As críticas da oposição conservadora israelense não esperaram o anúncio oficial de quarta-feira sobre o começo das negociações, que Olmert chamou em um ato público em Tel Aviv de "dever nacional".

Michael Eitan, deputado do partido oposicionista Likud, afirmou hoje ao jornal "Yedioth Ahronoth" que "um acordo de paz com a Síria é o mesmo que assinar a paz com (o presidente do Irã, Mahmoud) Ahmadinejad".

"Não podemos fazer nenhuma concessão a Damasco porque é um aliado do Irã e serve de base para as hostilidades e agressões contra Israel", acrescentou.

Já a ministra de Assuntos Exteriores israelense, Tzipi Livni, disse hoje que o processo de paz depende de a Síria renunciar o apoio ao terrorismo.

Os representantes dos assentamentos judaicos em Golã já mostraram sua indignação com o início das conversas, que chamaram de "ato irresponsável que transferirá uma terra estratégica e colonizada ao eixo do mal árabe".

Algumas semanas atrás, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, revelou que Olmert tinha oferecido a ele, através de Erdogan, a devolução das Colinas do Golã - território sírio ocupado por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967 - em troca da paz entre seus respectivos países.

Quarta à noite, Olmert declarou em uma conferência em Tel Aviv que se sentia "contente com que as duas partes tenham decidido falar", mas mostrou prudência ao garantir que não tinha "ilusões".

Uma pesquisa divulgada hoje mostra que dois terços dos cidadãos israelenses são contra a devolução à Síria das Colinas do Golã.

A maioria dos israelenses não está disposta a devolver esse território nem sequer em troca da paz com a Síria, segundo revela o Instituto Maagar Mochot em uma pesquisa divulgada hoje pelo jornal "Ha'aretz".

Segundo o estudo, 68% dos entrevistados desejam a manutenção da soberania sobre Golã, enquanto 35% se declaram "preparados para realizar ações ilegais" para impedir a retirada das colônias israelenses da região.

Aproximadamente 18 mil colonos judeus moram em Golã, junto a um número similar de população autóctone drusa.

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