Negociações da Rodada Doha entram em fase decisiva

As neogociações da Rodada Doha entram em uma fase decisiva neste domingo, quando os 30 ministros da Organização Mundial do Comércio (OMC) reunidos em Genebra voltam a debater o último pacote de propostas elaborado pelo diretor geral da organização, Pascal Lamy. Depois de um sábado dedicado a reuniões entre os distintos grupos aliados, a expectativa é de que algumas delegações proponham novas cifras para os pontos mais polêmicos nos capítulos agrícola e industrial.

BBC Brasil |

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, se disse satisfeito com a proposta que está no papel, que prevê redução média de 54% nas tarifas de importação sobre produtos agrícolas aplicadas pelos países emergentes e limita a proteção a 14% dos setores sensíveis, que poderiam ter um corte menor.

Mas Amorim está tendo trabalho para convencer seus principais parceiros no G20, Argentina e Índia, a ser flexíveis. A Argentina considera que a redução de tarifas exigida prejudicará sua indústria e exige poder proteger até 16% dos produtos.

Por sua parte, a Índia não está satisfeita com os critérios estabelecidos para a aplicação das chamadas salvaguardas especiais, que permitiriam ao países em desenvolvimento proteger-se de aumentos muito elevados nas importações de alimentos.

Paraguai e Uruguai, que destinam a maior parte de suas exportações agrícolas a outros países em desenvolvimento, são contra essa facilidade.

Conciliação

O comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, irá à reunião deste domingo pressionado pelos governos de alguns dos países chave do bloco, como a França e a Irlanda, que consideram os números de Lamy "desequilibrados" em relação ao que é pedido e oferecido.

Ao aceitar limitar seus subsídios internos em US$ 14,5 bilhões, os Estados Unidos consideram que já deram sua contribuição para o acordo.

Além da série de consultas bilaterais, os resultados da reunião de sábado sobre a abertura dos mercados de prestação de serviços podem facilitar o entendimento nessa próxima reunião.

Alguns diplomatas confiam que o ministro de Comércio indiano, Kamal Nath, adotará uma postura menos radical depois da promessa dos Estados Unidos de facilitar o acesso de profissionais altamente qualificados procedentes desse país a seu mercado de trabalho.

Neste domingo os negociadores também terão que conciliar os interesses dos países africanos, que pedem uma redução significativa nos subsídios dados pelos Estados Unidos a seus produtores de algodão e se opõem à oferta da União Européia de reduzir as tarifas de importação sobre a banana importada de países latino-americanos.

Uma nova proposta dos europeus considera que até 2016 as tarifas impostas aos produtores de banana da América Latina passem gradativamente dos atuais 176 euros a 114 euros por tonelada.

A iniciativa é criticada pelos produtores africanos, que se beneficiam de um sistema de preferências que permite que suas bananas entrem no mercado europeu isentas de tarifas.

Todas as peças desse quebra-cabeças terão que ser postas no lugar até a próxima quarta-feira, a nova data na qual as reuniões estão programadas para terminar. Isso se ninguém optar por abandonar o jogo antes.

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