Negociações comerciais com a América Latina estão em suspenso, diz Barroso

México, 13 mai (EFE).- As negociações comerciais da União Européia (UE) com o Mercado Comum do Sul (Mercosul), a Comunidade Andina (CAN) e os países centro-americanos estão atualmente em suspenso, admitiu hoje na capital mexicana, o presidente da Comissão Européia (CE), José Manuel Durão Barroso.

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"A verdade é que em alguns casos, para ser sincero, em termos comerciais (com a América Latina) estamos à espera da Rodada de Doha (da OMC)", manifestou o titular do Executivo da UE, citando o Brasil como um desses casos.

Barroso manifestou durante uma conferência perante estudantes do Instituto Tecnológico Autônomo do México (ITAM) que para países como o Brasil, membro do Mercosul, agora a prioridade é concluir Doha para se chegar a "um acordo global comercial".

"É possível e vamos (a UE) utilizar a cúpula de Lima também para ver as possibilidades de chegar a um acordo global. Seria uma grande vitória do multilateralismo", disse.

Barroso destacou que os acordos com o Mercosul, a Comunidade Andina e os países centro-americanos não dependem apenas da UE, mas da outra parte.

Neste sentido, argumentou que "às vezes há alguns problemas entre os países latino-americanos".

"De um ponto de vista comercial, algumas das questões que estamos vendo com o Mercosul e com outros, estão um pouco em suspenso", reiterou, acrescentando que fechar um acordo é o desejo da Comissão Européia.

Em relação ao tema, o representante afirmou que durante o último encontro UE-América Latina, realizado em Viena em maio de 2006, foram a CE e a União Européia as que fizeram "muito para que alguns dos países da região aceitassem estar juntos em reunião".

"Por exemplo, com a Comunidade Andina não foi fácil, em Viena, realizar uma reunião. Todos aceitaram manter uma reunião com a Europa, mas os países andinos não queriam estar juntos, esta é a verdade", afirmou Barroso.

O representante da CE insistiu que "uma das melhores maneiras de reforçar a integração regional (na América Latina) é fazendo com que os países em sua totalidade possam aprofundar as relações com outros blocos como a UE".

No sábado, em Lima, está prevista uma série de "mini-cúpulas" entre a UE e os três grupos subregionais (Mercosul, Comunidade Andina e países centro-americanos) para dar um empurrão às respectivas negociações.

Em todas essas reuniões "queremos apoiar a integração regional", destacou Barroso, ao comentar que a integração é necessária "de um ponto de vista econômico e político".

Barroso também advertiu hoje na capital mexicana que na América Latina ainda existem desequilíbrios econômicos, políticos e sociais "intensos", e se mostrou preocupado pelos discursos nacionalistas de alguns líderes da região.

O titular do executivo da CE alertou que os desequilíbrios "podem, se não forem administrados adequadamente, colocar em perigo os importantes avanços obtidos nos últimos anos na consolidação tanto da democracia como dos progressos econômicos".

Barroso destacou, no entanto, que a América Latina está vivendo um momento "de grande transcendência em todos os níveis", e que a região "realizou progressos muito significativos no campo das reformas democráticas".

No plano político, Barroso se mostrou "preocupado" pelo nacionalismo que se assoma em alguns Governos da região.

"Fico muito preocupado quando vejo alguns discursos nacionalistas, porque na Europa a experiência mais recente de nacionalismo foi a Segunda Guerra Mundial", declarou o funcionário comunitário. EFE jd/fb

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