Negociação fracassa, e Israel deve antecipar eleição

Por Ori Lewis e Douglas Hamilton JERUSALÉM (Reuters) - Israel se aproximou na sexta-feira de uma eleição antecipada, devido à recusa de um partido religioso em aderir a uma nova coalizão de governo.

Reuters |

O ultra-ortodoxo Shas tem sido o fiel da balança em sucessivos governos. Sua recusa cria a perspectiva de que Israel passe meses sob um governo interino, dificultando ainda mais a conclusão de um processo de paz com os palestinos ainda neste ano.

O primeiro-ministro Ehud Olmert renunciou ao cargo no mês passado, devido a suspeitas de corrupção, mas continua interinamente no poder enquanto sua chanceler e sucessora designada pelo partido Kadima, Tzipi Livni, tenta montar um novo gabinete.

Em seu caráter provisório, Olmert não tem mais força política para concluir a negociação com os palestinos ainda antes do final do mandato do presidente dos EUA, George W. Bush, em 20 de janeiro.

As pesquisas indicam que a oposição de direita, contrária ao processo de paz, é favorita numa eleição parlamentar antecipada. O pleito originalmente estaria previsto apenas para 2010.

O Shas reivindica mais programas sociais para seu eleitorado pobre, mas diz que não vai vender a qualquer preço a sua oposição à criação de um Estado palestino e à partilha de Jerusalém.

Livni ainda não se manifestou. Ela havia dado prazo até domingo para concluir as negociações, mas não deve desistir facilmente da tentativa de se tornar a primeira mulher a governar Israel desde Golda Meir, na década de 1970.

O centrista Kadima e seus aliados trabalhistas, de centro-esquerda, dizem que não é hora de perturbar o processo de paz com eleições antecipadas, ainda mais num momento de crise econômica global.

Eli Yishai, dirigente do Shas e atual ministro de Indústria e Comércio, disse que seu partido "não pode ser comprado e não vai vender Jerusalém". "Essa tem sido a nossa linha consistente durante as negociações", acrescentou.

Israel, que conquistou a parte leste de Jerusalém na guerra de 1967, considera a cidade como sua "capital eterna e indivisível". Já os palestinos pleiteiam Jerusalém Oriental como capital de seu eventual Estado.

Em seu governo, Olmert demonstrava abertura para discutir a partilha da cidade, que no entanto o Shas considera não ser "uma mercadoria à venda".

"Se pudesse haver um compromisso de que não haverá negociações sobre Jerusalém , poderíamos recomendar ao partido que aprove o acordo", disse Yishai.

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