Negociação entre governo e oposição acaba sem acordo na Bolívia

COCHABAMBA - Terminou sem acordo no domingo o diálogo político entre presidente da Bolívia, Evo Morales, e os governadores da oposição que exigem mais autonomia para suas regiões e se opõem à aprovação de uma nova Constituição de teor socialista.

Reuters |

O conflito político gerou uma onda de violência em setembro, com incidentes que mataram pelo menos 19 pessoas, a maioria seguidores do governo. Em quatro Departamentos administrados pela oposição houve ocupação de prédios públicos, bloqueios rodoviários e ataques a instalações energéticas.

O ministro da Agricultura, Carlos Romero, deixou uma reunião que durou 10 horas em Cochabamba culpando os governadores pelo fracasso. Segundo ele, o presidente havia aceitado parcialmente a autonomia regional.

"Que eles não tenham assinado só significa que eles têm uma agenda política", disse ele.

Morales deixou o encontro sem falar com jornalistas.

Falando em nome da oposição, o governador de Tarija, Mario Cossio, disse torcer para que o fracasso não leve a um recrudescimento da violência. "Essas diferenças demográficas não significam a abertura de um ciclo de confrontos e violência", afirmou.

De acordo com ele, houve "sérias discordâncias" a respeito das reivindicações autonomistas dos governadores oposicionistas, que pleiteiam também maior participação nos dividendos da extração de gás e petróleo.


Impasse: reunião acaba sem acordo na Bolívia / Reuters

O governador de uma quinta região autonomista, Pando, foi detido em setembro sob suspeita de ordenar um massacre de camponeses, que foi o pior incidente da onda de violência.

O diálogo começou em meados de setembro, mas atingiu um impasse diante das tentativas da oposição de alterar a nova Constituição, aprovada em 2007 numa Assembléia Constituinte boicotada pelos adversários de Morales.

"Nunca sugerimos que deveríamos escrever uma nova Constituição. Propusemos que seria imperativo discutirmos uma série de questões", disse Cossio.

O governo diz que não vai ceder à pressão de uma "minoria" e lembra que os governadores envolvidos no diálogo representam apenas quatro dos nove Departamentos bolivianos.

Morales diz que a nova Constituição é uma ferramenta para garantir mais direitos à maioria indígena. Os governadores se queixam de uma suposta concentração de poderes nas mãos do presidente.

O governo promete enviar ao Congresso um projeto para convocar o referendo constitucional, e Morales diz que pretende convocar uma eleição geral no país após a entrada em vigor da nova Carta.

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