Negociação do clima avança, mas sem acordo sobre meta para 2050

PARIS- Em negociações realizadas em Paris, na sexta-feira, algumas das maiores economias do mundo realizaram avanços quanto à definição dos pontos fundamentais de um novo acordo da Organização das Nações Unidas (ONU) para enfrentar as mudanças climáticas, mas continuavam divididas a respeito da meta de cortar pela metade, até 2050, a emissão de gases do efeito estufa.

Redação com agências internacionais |

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O encontro, liderado pelos Estados Unidos e do qual participam 17 países que respondem por 80 por cento das emissões mundiais, acertou o compartilhamento de tecnologias limpas, a adoção de esquemas de financiamento e a imposição de eventuais metas setoriais para áreas como as da produção de aço e cimento.

'Na minha opinião, realizamos um progresso significativo', disse Daniel Price, vice-conselheiro nacional dos EUA na área de segurança para questões econômicas internacionais. As declarações foram dadas no segundo dia de negociações das quais participam, entre outros, a China, a Rússia, a Índia e a União Européia (UE).

O encontro adotou uma postura mais construtiva após iniciar-se com muitos delegados criticando o presidente norte-americano , George W. Bush, por limitar-se a fixar uma meta de não permitir que as emissões de seu país continuem aumentando após 2025 , quando outros países assumiram o compromisso de baixar suas emissões para níveis menores que os de 1990, disseram delegados.

'As pessoas estão se compreendendo mutuamente cada vez mais em vários assuntos', afirmou Yvo de Boer, chefe do Secretariado de Mudanças Climáticas da ONU, que considerou 'substanciais' os avanços rumo à elaboração de um novo tratado do clima da ONU previsto para ser acertado até o final de 2009.

No entanto, ainda há divergências quanto a adotar a meta de reduzir pela metade, até 2050, as emissões mundiais, meta essa defendida pela UE, pelo Japão e pelo Canadá como parte da luta contra o aquecimento da Terra, um fenômeno capaz de provocar mais enchentes, secas e ondas de calor além da elevação do nível dos oceanos.

'Ainda há muita divergência a esse respeito', disse De Boer. Segundo os delegados, o plano anunciado por Bush na quarta-feira de apenas brecar as emissões dos EUA no patamar a ser registrado em 2025 tornavam tais metas de longo prazo ainda mais improváveis.

Cúpula no Japão

As metas para 2050 seriam avaliadas em uma cúpula do Grupo dos Oito (G8) que ocorre no Japão entre os dias 7 e 9 de julho e em outro encontro dos 17 maiores emissores de gases do efeito estufa, marcado para acontecer de forma paralela àquela cúpula.

'Acho que há uma chance de incluirmos isso (a meta de redução de 50 por cento) na declaração' de julho, afirmou Andrej Kranjc, secretário do Ministério do Meio Ambiente da Eslovênia, que detém atualmente a Presidência rotativa da UE.

Muitos dos delegados presentes no encontro de Paris, o terceiro do tipo desde setembro em uma série lançada por Bush em meio a muitas desconfianças devido à atuação passada dele na área, disseram que já olhavam para o próximo presidente dos EUA, que toma posse em janeiro de 2009.

O candidato do Partido Republicano ao cargo, John McCain, e os pré-candidatos democratas Barack Obama e Hillary Clinton defendem a adoção de metas mais duras do que as citadas por Bush.

'Pode-se dizer com segurança que, independente de qual desses três candidatos vença as eleições, teremos uma política mais progressista a respeito das mudanças climáticas', afirmou Boer.

Os países industrializados, com a exceção dos EUA, concordaram com diminuir suas emissões, até 2020, para um nível entre 25 e 40 por cento inferior ao registrado em 1990 como parte de um novo tratado da ONU que ficaria no lugar do Protocolo de Kyoto.

O governo norte-americano afirmou ainda estar 'avaliando com seriedade' se adotará a meta de baixar pela metade as emissões até 2050.

O grupo que negocia em Paris reúne os EUA, a França, a Alemanha, a Itália, a Grã-Bretanha, o Japão, a China, o Canadá, a Índia, o Brasil, a Coréia do Sul, o México, a Rússia, a Austrália, a Indonésia e a África do Sul. A Eslovênia e a ONU também participam dos encontros.

Protocolo de Kyoto

Os EUA são um dos principais países emissores de dióxido de carbono, mas Bush, que rejeitou o Protocolo de Kyoto em suas primeiras medidas como presidente, afirma que impor cortes obrigatórios prejudica a economia e coloca seu país em desvantagem frente a nações emergentes que não tomaram medidas para reduzir suas emissões.

O presidente americano acredita que deve se criar um acordo mundial que inclua economias emergentes como as da Índia e da China e pelas quais os países aceitem reduzir suas próprias emissões de gases estufa.

Em dezembro do ano passado, em reunião em Bali (Indonésia), os EUA concordaram negociar junto com outros países um novo acordo que substitua Kyoto até o fim de 2009.

Em seu discurso, Bush afirmou que a melhor maneira de combater a mudança climática é "garantir que as principais economias estejam comprometidas a tomar medidas e a cooperar com nossos parceiros em favor de um acordo internacional sobre o clima que seja justo e efetivo".

(*Com informações das agências Reuters e EFE)

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