Negociação de Arias fracassa por rejeição de Micheletti em restituir Zelaya

A rejeição do governo de fato de Roberto Micheletti em aceitar a restituição do presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya causou o fracasso neste domingo da mediação do mandatário da Costa Rica, Oscar Arias, que pediu mais 72 horas para evitar o risco de uma guerra civil.

AFP |

"Sinto muito senhor presidente, mas as propostas que você apresentou são inaceitáveis para o governo constitucional de Honduras que represento (...) Em particular, sua proposta número um representa uma intromissão direta nos assuntos internos de Honduras", disse o chanceler de Micheletti e chefe de sua delegação, Carlos López.

Frente a essa negativa, a delegação de Zelaya "deu por terminado o diálogo" neste segundo dia de negociação.

"Este diálogo com esta comissão deste regime de fato (...) terminou", afirmou a chefe da delegação de Zelaya, Rixi Moncada.

Arias pediu mais 72 horas para reconduzir o diálogo destinado a solucionar a crise hondurenha, porque caso contrário, disse, "a alternativa é possivelmente uma guerra civil" no pequeno país centro-americano, onde os seguidores de Zelaya planejam novas ações para exigir seu retorno.

O prêmio Nobel da Paz 1987, afônico após vários dias de intensas discussões com os responsáveis pela crise e com representantes da comunidade internacional, indicou que a delegação de Zelaya havia aceitado os sete pontos de sua proposta para colocar um ponto final ao conflito em Honduras.

Fontes da Presidência costarriquenha anunciaram à AFP que Arias voltará a convocar as partes do conflito nesta quarta-feira.

As duas delegações hondurenhas tinham dado mostras ao longo deste domingo de uma forte divisão relativa à restituição de Zelaya, exatamente o único ponto inegociável do "mapa do caminho" de Arias, que contava com o apoio internacional.

Declarações de Zelaya feitas na sexta-feira ao jornal Folha de São Paulo, antes do início da negociação em San José, nas quais assegurava que mantinha seu projeto de convocar uma Assembleia Constituinte para reformar a Constituição (e permitir sua reeleição) foram a gota d'água para os representantes de Micheletti, que antes do início da negociação "desautorizaram" o lado de Zelaya.

"Entendemos que a comissão que se apresentou para este diálogo está desautorizada, porque ela disse que esse assunto estava superado e hoje José Manuel Zelaya Rosales reafirma sua insistência que é o assunto do qual tratará em seu retorno ao poder", disse Arturo Corrales, membro da delegação de Micheletti.

Pouco depois, López divulgou à imprensa a contraproposta que havia apresentado a Arias na qual aceitava o retorno de Zelaya, mas para que fosse submetido à justiça hondurenha.

A chanceler de Zelaya, Patricia Rodas, pediu ao povo hondurenho que derrube o governo Micheletti.

"Está nas mãos do povo o restabelecimento da ordem constitucional, a restituição de nosso presidente e o direito de Honduras viver em paz. Continua a luta de nosso povo, a resistência contra a opressão", declarou em uma entrevista concedida à rede de televisão Telesur.

Após o fracasso dessa segunda tentativa de mediação de Arias, a delegação de Micheletti voltou para Tegucigalpa, enquanto que os integrantes da de Zelaya, depois de almoçarem com Oscar Arias, retornavam, alguns para Manágua, no avião oferecido pela Venezuela, e outros para a Guatemala em voo comercial, em suas bases de operação em um exílio que já dura três semanas.

af/dm

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