Negociação climática é retomada; EUA apoiam fundo de US$100 bi

Por Alister Doyle e Rick Cowan COPENHAGUE (Reuters) - A Dinamarca, anfitriã da conferência da ONU sobre clima, relançou nesta quinta-feira as conversações, depois que os Estados Unidos deram apoio a um fundo mundial de 100 bilhões de dólares para ajudar países pobres. Os líderes mundiais se reuniram em um esforço final para chegar a um acordo.

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Ministros de vários países pediram decisões urgentes enquanto o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, deixava de lado planos de apresentar seus esboços de propostas, que provocaram a paralisação do processo por mais de 24 horas, já que os países em desenvolvimento insistem que todos devem tomar parte das decisões.

"Os Estados Unidos estão preparados para trabalhar com outros países na direção da meta de mobilizar conjuntamente 100 bilhões de dólares por ano até 2020 para tratar das necessidades dos países em desenvolvimento quanto à mudança climática", disse a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, em entrevista coletiva.

A União Europeia propôs um fundo mundial de 150 bilhões de dólares e o chefe do grupo de países africanos, o primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi, expressou apoio na quarta-feira à ajuda na questão climática de 100 bilhões de dólares para as nações mais pobres.

Um acordo sobre o fundo climático poderia dar um viés político para as conversações da ONU, que buscam chegar a um consenso na sexta-feira sobre um conjunto de outras medidas, desde o salvamento das florestas tropicais ao impulso aos mercados de carbono e o endurecimento nas metas de redução das emissões globais de carbono.

Rasmussen removeu um obstáculo ao diálogo na quinta-feira, ao retirar seu controverso plano de formar pequenos grupos de países para destrinchar textos complexos, que se tornam confusos por causa das longas listas de opções.

Os negociadores praticamente esgotaram o tempo de apresentar aos líderes mundiais esboços inteligíveis de propostas para que sejam assinados no encerramento da conferência, que se iniciou no dia 7 e termina no dia 18.

"A conferência está no momento em uma conjuntura crítica e agora concordamos sobre o modo de proceder", disse Rasmussen. "Confiamos no interesse de todas as partes de darem aquele passo a mais para fechar o acordo que se espera de nós."

JOGO DE EMPURRA

No início da quinta-feira, no ponto alto de dois anos de conversações sobre o clima, pareciam remotas as perspectivas de um pacto sólido, num momento em que ministros e líderes responsabilizavam os principais emissores, China e EUA, pelo impasse na questão da redução de carbono.

Mas ministros e líderes pediram uma decisão urgente.

"Copenhague é importante demais para fracassar", afirmou o embaixador chinês para mudanças climáticas, Yu Qingtai, à Reuters, acrescentando que a presença do primeiro-ministro Wen Jiabao, que chegou a Copenhague na noite de quarta-feira, é uma demonstração do comprometimento da China.

"A China não está interessada em fazer parte dos esforços de algumas pessoas de tentar culpar outros países por um fracasso em Copenhague", disse Yu.

O ministro do Meio Ambiente da Índia, Jairam Ramesh, acusou os países ricos de planejarem uma "campanha de propaganda" para culpar as nações em desenvolvimento por qualquer desdobramento negativo. A previsão é que as economias em desenvolvimento respondam por quase todo o futuro crescimento nas emissões de carbono.

"Estamos no fim do jogo. É apenas questão de tempo para que comece o jogo de empurra", disse Ramesh.

Hillary disse que qualquer contribuição dos EUA para um fundo mundial de 100 bilhões de dólares para os países pobres depende de as nações em desenvolvimento oferecerem garantias de conter a expansão das emissões como parte de um novo acordo que substitua o Protocolo de Kyoto depois de 2012.

Dezenas de chefes de Estado chegaram à capital dinamarquesa para participar na conferência.

O objetivo da cúpula é chegar a um acordo sobre um pacto climático mundial, como base de um tratado de cumprimento obrigatório no ano que vem, para suceder ao Protocolo de Kyoto depois de 2012, evitar mudanças perigosas no clima e estimular uma economia mundial mais sustentável e menos dependente de combustíveis fósseis.

(Com reportagens adicionais de Anna Ringstrom, Alister Doyle, Krittivas Mukherjee, Karin Jensen)

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