Navios dos EUA levam ajuda à Geórgia em meio a conflito com a Rússia

Misha Vignanski Tbilisi, 24 ago (EFE).- O primeiro navio dos Estados Unidos com ajuda humanitária chegou hoje à Geórgia, enquanto prosseguem os incidentes e a polêmica em torno da presença de militares russos nas chamadas zonas de segurança em volta das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia.

EFE |

Pouco antes do meio-dia (hora local), o destróier americano "McFaul" chegou ao porto georgiano de Batumi, no Mar Negro, com artigos de primeira necessidade para a população civil atingida pela ofensiva do Exército russo na Geórgia.

A embarcação atracou na enseada do porto comercial, que, por suas características, não pode receber grandes navios de guerra, segundo o canal de televisão "Rustavi 2".

Um representante da agência americana para o desenvolvimento internacional (Usaid, na sigla em inglês) informou que o navio leva colchões, cobertores, artigos de higiene e alimentos.

Ainda segundo a Usaid, é esperada para hoje mesmo a chegada a Batumi de outros dois navios dos EUA, país aliado da Geórgia e que, dias atrás, enviou ao país caucasiano um avião de transporte cheio de material humanitário.

A Rússia, cujo Exército entrou na Geórgia em 3 de agosto para proteger das tropas georgianas a Ossétia do Sul, já tinha manifestado anteriormente sua insatisfação com com as manobras realizadas no Mar Negro por outros quatro navios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O comando militar russo disse que o "aumento da presença naval da Otan no Mar Negro agrava a situação" na região ,e também deixou transparecer suas suspeitas de que os navios americanos na realidade estejam transportando armas para a Geórgia em vez de ajuda humanitária.

O vice-ministro da Defesa georgiano, Batu Kutelia, disse: "A Otan não cria nenhuma ameaça para a Rússia no Mar Negro. Os navios aliados transportam para a Geórgia apenas ajuda humanitária e assistência para o restabelecimento das infra-estruturas civis e militares destruídas pelas tropas russas".

As autoridades da Geórgia negaram que os navios com ajuda chegaram ao porto de Poti, que as tropas russas anunciaram que continuarão patrulhando, apesar de terem recuado das regiões separatistas em conformidade com o acordo de cessar-fogo do conflito, assinado por Moscou e Tbilisi.

A emissora "Rustavi 2" denunciou que militares russos agrediram hoje uma equipe de televisão da agência americana "AP" e quebraram suas câmeras quando os jornalistas tentavam filmar um posto de controle russo fortificado nos arredores de Poti.

Enquanto isso, a Ossétia do Sul, assistida amplamente pelo Governo russo, recebeu hoje ajuda humanitária adicional de uma organização cristã ortodoxa dos EUA, e também recebeu a promessa de assistência do rei Abdullah II da Jordânia, em visita à Rússia.

O Ministério de Interior da Geórgia denunciou que vários vagões de um trem com petróleo para os habitantes de Gori explodiram hoje perto da cidade, aparentemente devido às minas enterradas pelas tropas russas antes de deixarem a região.

O porta-voz do Ministério do Interior georgiano, Shota Utiashvili, disse à Agência Efe que as explosões ocorreram próximo ao povoado de Skra, onde os russos, ao recuarem na sexta-feira para a Ossétia do Sul, destruíram um armazém de munição do Exército da Geórgia.

No âmbito político, a polêmica entre Moscou e Tbilisi pelas zonas de segurança russas em torno de Ossétia do Sul e da Abkházia sobrou hoje para o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que teve que desmentir o Kremlin em declarações como presidente rotativo da União Européia (UE).

Segundo agências russas, a Presidência da UE afirmou que Sarkozy, autor do acordo de cessar-fogo, tinha dito ontem à noite ao presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, que as tropas de paz russas nas polêmicas zonas de segurança seriam substituídas por missões de observação da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

No entanto, um porta-voz do Kremlin declarou hoje que essa substituição "não foi tratada na conversa" entre os dois líderes, embora Medvedev tenha confirmado a Sarkozy "a disposição das tropas russas de cooperar com a OSCE" na zona de segurança.

O comando russo formou faixas de segurança de 15 quilômetros em torno das duas regiões separatistas, onde instalou 36 postos militares.

No entanto, Tbilisi denuncia que essas faixas foram criadas sem seu consentimento e que as tropas russas mantêm sob seu controle estradas e zonas estratégicas do país, como o porto de Poti, a 200 quilômetros da Ossétia do Sul e a 60 da Abkházia. EFE mv/wr/sc

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