Navios da Otan mobilizam-se para operação contra piratas

Por David Brunnstrom BRUXELAS, Bélgica (Reuters) - Navios de uma força-tarefa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) rumavam para o canal de Suez, na quarta-feira, a fim de ajudar no combate à pirataria na costa da Somália e escoltar embarcações carregadas com material de ajuda da Organização das Nações Unidas (ONU), afirmou um porta-voz da aliança militar.

Reuters |

Piratas somalis criaram uma situação caótica em uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, a rota que liga a Europa à Ásia e ao Oriente Médio. Os criminosos capturaram navios obtendo milhões de dólares em resgate. Com isso, provocaram uma elevação nos gastos com seguro e colocaram sob ameaça os suprimentos de ajuda humanitária.

Respondendo a um pedido da ONU, os países-membros da Otan, em um encontro realizado no fim de semana, autorizaram o envio de dois destróieres, quatro fragatas e um navio auxiliar para participar das operações. As embarcações pertencem a seis integrantes da aliança militar.

A força-tarefa passa atualmente pelo canal de Suez e os navios dela devem iniciar as operações de combate à pirataria dentro de duas semanas, afirmou James Appathurai, porta-voz da Otan.

As embarcações também realizariam visitas agendadas a portos de países do golfo Pérsico, disse Appathurai em uma entrevista coletiva.

Integram a força-tarefa um destróier da Itália, uma fragata e um navio de suprimentos da Alemanha, fragatas da Grécia, da Turquia e da Grã-Bretanha, além de um destróier dos EUA, informou um boletim divulgado pela aliança militar.

"A ameaça da pirataria é real e vem aumentando em muitas partes do mundo hoje. E essa resposta é um bom exemplo da capacidade da Otan de adaptar-se rapidamente a novos desafios no setor de segurança", afirmou em um comunicado o general John Craddock, comandante supremo aliado da Otan na Europa.

Piratas somalis capturaram mais de 30 navios neste ano, até o momento, e receberam resgates em um total de 18 milhões a 30 milhões de dólares, fazendo das águas da costa da Somália as mais perigosas do mundo.

No caso de maior destaque, negociações sobre o pagamento de um resgate ainda são realizadas depois de os criminosos terem assumido o controle de um navio ucraniano, o MV Faina, que transporta 33 tanques de guerra T-72 e outros armamentos. Na terça-feira, forças de segurança somalis conseguiram libertar uma embarcação panamenha.

Appathurai disse que a força da Otan coordenaria suas ações com a força liderada pelos EUA e já presente na área e com uma força da União Européia (UE) que deve entrar em atividade em dezembro.

Parlamentares britânicos do bloco conservador do Parlamento Europeu criticaram a França por defender o envio da força da UE, afirmando que a missão lançaria mão do mesmo grupo de navios usado pela Otan e que era algo motivado politicamente em vista dos planos do governo francês para que o bloco europeu tenha uma atuação de maior destaque no setor militar.

"A UE costuma transformar as crises em uma oportunidade para ampliar sua atuação", afirmou em um comunicado Geoffrey Van Orden, representante do grupo de parlamentares para questões militares.

"Essa mais recente operação naval é um outro exemplo da desnecessária duplicação dos esforços", disse, acrescentando que todas as operações navais deveriam ser coordenadas pela Otan.

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