Pequim, 26 dez (EFE).- Três navios da Marinha chinesa partiram hoje da ilha de Hainan, no sudeste do país, em direção ao Chifre da África para se unir aos navios de guerra de outros países no combate à pirataria na Somália, na primeira missão chinesa de patrulha naval fora das águas do país.

O contra-almirante chinês Du Jingcheng, chefe da expedição, disse à imprensa chinesa a partir de um dos navios da missão - um destróier - que a tripulação de 800 pessoas, 70 deles soldados de forças especiais, tem "plena confiança" em seu trabalho de combate à pirataria no Golfo de Áden.

Um outro destróier e um navio de provisões integram uma missão que alguns meios de comunicação chineses qualificaram de "o primeiro desdobramento naval chinês em águas internacionais desde o século XV".

O principal objetivo dos navios é "garantir a segurança dos navios que passam pelo Golfo de Áden, principalmente petroleiros chineses e com outros materiais estratégicos, como matérias-primas", disse Du, também responsável da frota do sul da China.

O embaixador da Somália na China, Mohammed Ahmed Awill, manisfestou à rede de televisão "CFTV" o agradecimento de seu país por este envio e prometeu a cooperação com os navios do gigante asiático.

"A China é membro do Conselho de Segurança da ONU e está fazendo um esforço coletivo para combater a pirataria, pois não é mais um problema da Somália, mas internacional", acrescentou o embaixador somali.

O principal órgão da ONU adotou por unanimidade, na semana passada, uma resolução do Conselho de Segurança pedindo que a comunidade internacional adote um papel ativo na luta contra o problema no litoral somali, o que motivou a presença de navios de guerra da França, Itália, Grécia, Reino Unido e Alemanha, entre outros países.

A presença da China em águas somalis colocará esse país como potência marítima em uma zona na qual negociava há seis séculos pérolas, especiarias e seda.

Depois que, no século XV, a frota chinesa explorou a Ásia e a África sob o comando do marinheiro Zheng Eis, os navios de guerra do país raramente voltaram a sair fora de suas águas, e, em tempos modernos, concentraram suas operações em suas águas ou no Pacífico próximo, com algumas exceções e visitas de amizade a portos estrangeiros.

Os navios chineses que partiram para o Golfo de Áden estão equipados com mísseis, canhões e armas leves, segundo a agência "Xinhua".

O ataque a vários cargueiros chineses na zona de influência dos piratas somalis motivou, no entanto, esta incomum operação dos navios de guerra chineses.

Liu Jianchao, porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores chinês, reconheceu que 20% dos 1.265 navios chineses que atravessaram o local sofreram ataques de piratas em 2008.

O último cargueiro chinês atacado por piratas no Golfo de Áden foi o "Zhenhua 4", libertado em 17 de dezembro graças à intervenção de navios de outros países.

No local, piratas somalis retêm atualmente o petroleiro saudita "Sirius Star", que tem uma carga de petróleo no valor de US$ 100 milhões, à espera de um resgate, em uma das muitas operações de roubo e seqüestro que realizaram.

Segundo o Escritório Marítimo Internacional, os piratas atacaram 110 navios no Chifre da África em 2008, e em 42 dos casos obtiveram sucesso.

Segundo a revista estratégica especializada "Jane's", a demonstração do potencial marítimo da China será observada com temor por seus rivais, embora ainda faltem ao país até três décadas para construir uma Marinha como as ocidentais. EFE pc-abc/an

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