Navio de guerra parte de porto no Reino Unido rumo às Malvinas

Segundo Reino Unido, destroyer HMS Dauntless fará missão de rotina de seis meses; Argentina denuncia militarização da disputa

iG São Paulo |

O destroyer HMS Dauntless, um dos navios de guerra mais modernos do Reino Unido, partiu nesta quarta-feira do porto inglês de Portsmouth rumo ao Atlântico Sul, no meio da tensão com a Argentina pela soberania das Ilhas Malvinas .

Infográfico: Entenda a disputa entre Reino Unido e Argentina pelas Malvinas

EFE
Navio de guerra britânico partiu nesta quarta-feira de Portsmouth, Reino Unido
O navio partiu para uma missão de seis meses, apresentada como rotina pelas autoridades britânicas, mas denunciada pela Argentina como uma tentativa do Reino Unido de "militarizar" a disputa pela soberania das Malvinas.

A partida do HMS Dauntless acontece na véspera do 30º aniversário da saída dos primeiros navios britânicos enviados pela então primeira-ministra Margaret Thatcher para recuperar o arquipélago das Malvinas, após o desembarque argentino que iniciou a guerra em 2 de abril de 1982.

Dezenas de pessoas se reuniram no porto de Portsmouth, sul da Inglaterra, para acompanhar a saída do destroyer de última geração.

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O navio, cujo desdobramento foi anunciado pelo governo em janeiro, partiu dois dias depois dos 30 anos do começo da guerra entre Reino Unido e Argentina pelas Malvinas.

O HMS Dauntless é um dos seis novos destroyers Tipo 45 da Marinha britânica que está equipado com um avançado sistema de navegação que o torna praticamente invisível aos radares. O anúncio da missão de seis meses causou mal-estar no governo argentino, que disse que o Reino Unido militarizaria o Atlântico Sul e ontem voltou a acusar Londres de "colonialismo".

O HMS Dauntless, que substituirá o navio britânico HMS Montrose e levará aproximadamente um mês para chegar ao Atlântico Sul, deve fazer escala em alguns países do oeste e do sul da África antes de chegar às águas próximas às Malvinas, segundo o Ministério da Defesa britânico.

Justificativa

O Reino Unido insiste que o envio do destroyer não representa uma militarização do Atlântico Sul, mas uma operação de "rotina" que faz parte da contínua presença britânica na região. Esta é a primeira operação naval do "HMS Dauntless" desde que foi encomendado pela Marinha Real em 2010.

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O capitão da embarcação, Will Warrender, disse à BBC que a tripulação "trabalhou muito duro no último ano a fim de preparar-se para sua primeira operação". "Agora estamos prontos para que nossa presença dê segurança à região e para proteger os interesses britânicos", acrescentou.

O governo britânico havia anunciado o envio do destroyer ao Atlântico Sul no último dia 31 de janeiro sem dar uma data concreta de partida, que foi confirmada na segunda-feira passada, justamente o dia do 30º aniversário do início do conflito com a Argentina.

O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, reiterou na segunda-feira o compromisso de seu país em defender a autodeterminação dos quase 3 mil moradores da ilha que querem seguir sob soberania do Reino Unido.

Após o anúncio do desdobramento do destroyer, o governo argentino apresentou uma queixa formal perante a ONU para denunciar o que classifica a militarização da área das Malvinas.

As ilhas, cuja soberania a Argentina reivindica desde 1833, estão a cerca de 13 mil quilômetros do Reino Unido e a 460 quilômetros da Argentina.

O conflito durou de 2 de abril a 14 de junho de 1982 e terminou com 655 argentinos e 255 britânicos mortos. Desde então, a Argentina tentou quase todos os métodos para que o Reino Unido aceitasse negociar a soberania, como estabelece uma histórica resolução votada pela Assembleia da ONU em 1965. O Reino Unido rejeita a discussão com o argumento de que os kelpers (habitantes das ilhas) querem continuar sob soberania britânica, instituída no arquipélago em 1883.

*Com EFE e AFP

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