Navio com carga humanitária chega a porto de Israel

Embarcação irlandesa foi interceptada por militares israelenses nesta manhã e seguiu escoltada até o porto de Ashdod

iG São Paulo |

O navio irlandês com ajuda humanitária internacional foi desviado pela Marinha israelense de seu destino, a Faixa de Gaza, na manhã deste sábado, e chegou nesta manhã ao porto israelense de Ashdod, escoltado por forças militares.

Israel afirmou que o navio Rachel Corrie que leva ajuda humanitária à Faixa de Gaza foi desviado por militares do país ao porto israelense de Ashdod sem violência, embora os ativistas a bordo ainda não tenham se manifestado. A comunicação com os ativistas foi cortada e uma das organizadoras da frota, no Chipre, diz que os militares israelenses obrigaram os tripulantes a agir contra a vontade e em águas internacionais.

AFP
Navio Rachel Corrie é escoltado na entrada do porto israelense de Ashdod

O navio de 1.200 toneladas foi visto entrando no porto, acompanhado por duas pequenas embarcações da Marinha israelense, cerca de cinco horas depois de ter sido abordado por forças israelenses em uma operação que os militares executaram sem qualquer violência.

Os militantes foram levados sob escolta policial ao aeroporto internacional de Ben Gourion, perto de Tel Aviv, e deverão ser deportados no domingo, anunciou a porta-voz do Serviço de Imigração.
Segundo a porta-voz, a expulsão dos irlandeses, entre os quais está a vencedora do Nobel da Paz, Mairead Maguire, atrasou porque os militantes se recusaram a assinar o documento de deportação.

O governo israelense disse que interrogaria ainda os 11 ativistas, irlandeses e malaios e que transferirá a carga para Gaza depois de vistoriá-la.

Interceptação

O Exército de Israel abordou no meio da manhã deste sábado o navio irlandês "Rachel Corrie" sem o registro de vítimas, afirmou um porta-voz militar israelense. A abordagem ocorreu depois que a tripulação da embarcação irlandesa ignorou quatro chamados do Exército israelense para que desviasse a rota para um porto de Israel ao invés de seguir para Gaza.

AFP
Navio Rachel Corrie é visto atracado em porto irlandês em imagem de arquivo
"A marinha israelense entrou no navio e este ruma ao porto de Ashdod. A operação ocorreu tranquilamente, sem violência e de comum acordo com as pessoas a bordo. O navio deve chegar (ao porto) em algumas horas", disse o porta-voz do governo israelense Moro Eisin.

O governo de Israel tinha reiterado nos últimos dias que impediria com o uso força a chegada do cargueiro "Rachel Corrie" a Gaza em caso da embarcação não desistir da intenção de romper o bloqueio israelense e chegar à faixa palestina.

Ontem, a tripulação do navio já havia rejeitado a oferta feita por Israel através da Irlanda que atracasse em Ashdod e desembarcasse nesse porto israelense situado ao norte de Gaza a ajuda humanitária. A proposta incluía ainda que representantes do navio acompanhassem depois a transferência da ajuda de Ashdod até Gaza.

Segundo "Free Gaza, um dos grupos que organiza a expedição, o "Rachel Corrie" transporta 1,2 mil toneladas de ajuda humanitária. Com 20 pessoas a bordo, entre os passageiros está a prêmio Nobel da Paz norte-irlandesa Mairead Maguire e um antigo subsecretário-geral das Nações Unidas, o irlandês Denis Halliday.

O "Rachel Corrie" ficou para trás do comboio devido a problemas técnicos. O nome do navio irlandês é carregado de simbolismo. Rachel Corrie era uma ativista americana que em 2003 foi esmagada em Gaza por uma escavadeira militar israelense quando exercia papel de "escudo humano" impedindo a demolição de casas palestinas.

O premiê israelense, Binyamyn Netanyahu, elogiou o fato de a operação ter transcorrido sem violência, ao contrário da de segunda-feira. "Hoje vimos a diferença entre um barco de ativistas pela paz, com quem não concordamos mas respeitamos seus direitos a opiniões diferentes das nossas, e um barco do ódio organizado por violentos extremistas turcos", disse ele.

Ataque na segunda-feira

O Exército israelense atacou na segunda-feira outros seis navios do comboio de ajuda humanitária, da qual faz parte o navio irlandês.

Na abordagem, o Exército israelense matou nove ativistas turcos - um deles com dupla nacionalidade turco-americana - que viajavam em uma das embarcações. No ataque, em águas internacionais, dezenas de ativistas ficaram feridos.

Centenas de ativistas foram presos e deportados de Israel desde então. O incidente provocou uma onda de críticas internacionais, e o Conselho de Segurança da ONU emitiu declaração pedindo que o caso seja investigado imediatamente, de forma "imparcial, crível e transparente".

O autor de romances policiais sueco Henning Mankell, um dos escritores mais famosos do país, estava entre os passageiros de um dos barcos da frota atacada. Ele viu, à distância, o assalto ao navio Mavi Marmara, que liderava a frota.

Em entrevista coletiva em Berlim, depois de ser deportado de Israel, o escritor defendeu que sejam adotas sanções contra o Estado de Israel, nos moldes das sanções adotadas contra a África do Sul durante o regime do apartheid. Segundo Mankell, Israel saiu "para cometer assassinato". "Eu não entendi porque eles usaram tanta força", disse, afirmando que os passageiros foram tratados com extrema agressividade.

Outros ativistas a bordo do Mavi Marmara - entre eles a cineasta brasileira Iara Lee - também relataram cenas de violência por parte dos soldados ( leia o relato da brasileira sobre o ataque ).

Na quinta-feira à noite, em entrevista à rede de TV americana CNN, o presidente Barack Obama disse que a morte dos ativistas foi "trágica", mas afirmou que o incidente pode ter efeitos positivos sobre o processo de paz na região.

Bloqueio contestado

Desde a ação militar, o primeiro-minsitro israelense Binyamin Netanyahu vem sofrendo pressão para suspender o bloqueio terrestre e marítimo a Gaza, imposto em 2007 quando o Hamas assumiu o controle do território.

Segundo o canal 1 da TV israelense, Netanyahu teria dito na quinta-feira ao ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair que estaria disposto a flexibilizar o bloqueio marítimo a Gaza , caso fosse instaurada uma comissão internacional para inspecionar a carga dos navios. Blair é um dos representantes do Quarteto, grupo que negocia a paz no Oriente Médio formado por EUA, Rússia, União Europeia e ONU.

* Com AP, EFE, Reuters e BBC Brasil

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