Navio com ajuda líbia vai direto para Faixa de Gaza

Apesar do pedido de Israel para que o navio aporte em outro local, ONG da Líbia não muda rota de expedição humanitária

iG São Paulo |

O navio fretado pela ONG líbia Fundação Kadhafi de Seif Al-Islam com ajuda humanitária para a Faixa de Gaza vai para o território palestino e não mudará o rumo, como exigiu o governo israelense , assegurou neste domingo um porta-voz dos organizadores da missão humanitária.

AFP
Trabalhadores carregam cargueiro Amalthea com suprimentos no porto de Lavrio, na Grécia (09/07/2010)
"O navio zarpou ontem da Grécia e se dirige a Gaza e não para nenhum outro lugar", declarou à Agência EFE o deputado árabe Ahmad Tibi, membro do Knesset (Parlamento israelense) pela Lista Árabe Unida.

Tibi garante que está em contato a cada duas ou três horas com o navio "Amalthea" ("A esperança"), que transporta "2 mil toneladas de alimentos e remédios, e não carrega armas de nenhum tipo", segundo o deputado. O capitão do cargueiro também declarou na noite de sábado que se dirige ao território palestino. "Vamos para Gaza. Não vamos mudar de direção", declarou Machalá Zwei por telefone via satélite.

A expedição humanitária, que deve alcançar as águas territoriais da Faixa de Gaza nos próximos dois dias, foi organizada pela ONG presidida por Saif al-Islam Kadafi, filho do líder líbio Muammar Kadafi. Segundo Tibi, a iniciativa tem como objeto "transmitir uma mensagem humanitário e política: que o bloqueio marítimo e terrestre à Faixa de Gaza não pode continuar".

Israel se mostrava, este domingo, disposto a impedir pela via diplomática ou à força a nova tentativa do cargueiro, de bandeira da Moldávia e que zarpou da Grécia, de romper o bloqueio marítimo imposto à Faixa de Gaza.

Interrogado sobre uma possível intervenção militar israelense, Zwei disse que a fundação não busca "o enfrentamento ou a provocação". "Por enquanto, apenas nos interessa saber como vamos ajudar Gaza", assegurou. "A comunidade internacional está atenta e esperamos que nos ajude a alcançar nosso objetivo", acrescentou.

O ministro sem pasta Yossi Peled, do partido Likud, do chefe de governo israelense, Benyamin Netanyahu, advertiu em declarações à rádio pública que "Israel não permitirá ao navio desembarcar diretamente seu carregamento no porto de Gaza".

O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, declarou na noite de sábado em comunicado que o navio é "uma provocação desnecessária" já que a carga pode chegar ao território palestino pelo porto israelense de Ashdod ou o egípcio do Arish "após a comprovação de que não há armas".

No sábado, a imprensa israelense informou que o navio tinha zarpado da Grécia depois que o governo de Israel chegou a um acordo com as autoridades gregas e moldavas, pelo qual se comprometiam a evitar que a embarcação fosse para Gaza .

Israel impôs um ferrenho bloqueio a Gaza em junho de 2007, quando o movimento islamita Hamas assumiu o controle do território e expulsou os moderados ligados ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.

Recentemente, Israel suspendeu algumas das restrições por causa das pressões internacionais após a morte de nove ativistas turcos na abordagem militar em 31 de maio a uma frota de seis navios que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Apesar do alívio do bloqueio, persiste o cerco terrestre, marítimo e aéreo à faixa, que Israel justifica com a necessidade de impedir que armas cheguem às milícias palestinas.

*Com EFE e AFP

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