Navio com ajuda líbia para Faixa de Gaza atraca no Egito

Seguido por navios de guerra israelense, embarcação chega ao porto de El Arish

EFE |

© AP
Imagem de vídeo amador mostra ativistas com bandeira palestina a bordo do navio Amalthea
O navio Amalthea, que transporta ajuda humanitária líbia para a Faixa de Gaza, chegou nesta quarta-feira ao porto egípcio de El Arish, a 45 quilômetros do território palestino, seguido por navios de guerra israelenses.

Mais cedo, o ministro de Assuntos Exteriores egípcio, Ahmed Aboul Gheit, confirmou que o país havia aceitado o pedido do navio para atracar em El Arish. O porto já estava preparado para receber a embarcação, disse o governador do norte do Sinai, general Mourad Mouafi, à televisão estatal egípcia.

Mourad Mouafi acrescentou que o Egito colabora com o Crescente Vermelho (versão islâmica da Cruz Vermelha), que será o encarregado de transportar a ajuda para a Faixa de Gaza na manhã de quinta-feira, segundo a rede de televisão Al Jazeera

O navio Amalthea ("A Esperança"), de bandeira moldávia, é propriedade de uma companhia grega e foi fretado pela ONG islâmica "Caridade Internacional e Associação de Desenvolvimento", presidida por Saif Kadafi, filho do líder líbio, Muammar Kadafi.

A embarcação, que transporta duas mil toneladas de ajuda humanitária, partiu da Grécia no sábado com o anúncio de que o porto egípcio de El Arish seria seu destino. Em alto-mar, o capitão e a ONG reconheceram que seu verdadeiro destino era a Faixa de Gaza, submetida por Israel a um bloqueio naval, aéreo e terrestre.

Nesta quarta-feira, o chefe do governo do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh, pediu em vão para que o Amalthea persistisse em seu objetivo de romper o bloqueio e rejeitasse a proposta israelense de desembarcar no porto egípcio.

"Não caiam em truques nem atraquem em nenhum outro porto sem ser o de Gaza. Estão levando esperança pelo mar", disse Haniyeh durante a cerimônia de batismo de uma rua no campo de refugiados de Jabalya, no norte da Faixa, com o nome da frota com ajuda humanitária que foi atacada por Israel no dia 31 de maio.

Haniyeh pediu para que "os comboios continuem por terra e por mar" e pediu ajuda aos países muçulmanos para que o bloqueio israelense à Faixa de Gaza seja suspenso. O dirigente do Hamas chamou o recente relaxamento do bloqueio aprovado por Israel de tentativa de "driblar a reivindicação de levantá-lo totalmente", algo que, segundo ele, está "muito perto" de acontecer.

A Marinha israelense vinha perseguindo a embarcação desde terça-feira e tinha "previsto atacá-la" caso seu capitão não a desviasse para Al Arish, "como se comprometeu ", disse à Agência Efe um porta-voz militar israelense. Após as primeiras conversas por rádio com a Marinha israelense, o capitão do navio aparentemente aceitou descarregar a ajuda humanitária no porto egípcio, mas fontes militares israelenses advertiram que da mesma forma o acompanhariam "até confirmar" que a embarcação seria esvaziada.

Estavam no navio nove membros da ONG "Caridade Internacional e Associação de Desenvolvimento": seis líbios, um nigeriano, um marroquino e um argelino. Seu capitão, que também tinha confirmado que seu destino era Gaza, é cubano. Os outros 11 tripulantes são cubanos, haitianos ou panamenhos.

No dia 31 de maio, nove ativistas turcos foram mortos por comandos israelenses que abordaram em águas internacionais uma frota que transportava ajuda humanitária para a Faixa de Gaza. Várias organizações, algumas do Irã e do Líbano, anunciaram desde então que voltariam a tentar romper o bloqueio israelense, mas só o Amalthea zarpou para a região.

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