Navio chinês é resgatado das mãos de piratas no golfo de Áden

Por David Clarke NAIRÓBI (Reuters) - Uma força multilateral resgatou um navio chinês que havia sido capturado por piratas somalis na quarta-feira, em um sinal de que as marinhas estrangeiras que estão patrulhando a rota marítima que liga a Ásia à Europa estão adotando táticas mais duras.

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O navio chinês Zhenhua 4 foi uma das quatro embarcações tomadas por piratas na terça-feira, no mesmo dia em que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) adotou uma postura mais firme contra os ataques, autorizando os países a perseguirem os piratas em terra.

Um grupo marítimo queniano disse que os membros da tripulação haviam se trancado em suas cabines e feito um pedido de socorro pelo rádio. Um navio de guerra e dois helicópteros vieram e abriram fogo nos piratas, mas não os mataram, informou o grupo.

A mídia estatal chinesa disse que uma força "multilateral" com helicópteros se aproximou do navio e expulsou os piratas com sucesso.

O barco chinês foi sequestrado pelos piratas junto a um rebocador indonésio, um navio de carga turco, e um iate. As embarcações transitavam por uma das vias marítimas mais movimentadas do mundo.

O aumento da pirataria este ano na costa da Somália rendeu milhões de dólares em resgates aos grupos armados, elevou os custos de seguro de navios e fez muitos países patrulharem as vias marítimas ao redor da Somália, no Chifre da África.

Os sequestros fizeram algumas das maiores empresas marítimas do mundo abandonarem as rotas pelo Canal de Suez e mandarem navios de carga pelo sul da África --o que pode aumentar o preço das commodities e dos bens manufaturados.

Ainda que navios de guerra de várias nações estejam patrulhando os mares da Somália e escoltando navios, analistas dizem que o problema precisa ser enfrentado em terra para que tenha uma solução duradoura.

A resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU na terça-feira afirma que os Estados "podem tomar todas as medidas necessárias na Somália, incluindo o uso do espaço aéreo do país, para barrar os piratas.

O fraco governo Somali afirma que não tem recursos para enfrentar os piratas. A administração controla apenas a capital, Mogadíscio, e a sede do parlamento, Baidoa. Os piratas ocupam, em sua maioria, a região de Puntland, ao norte.

Autoridades da região semi-autonôma deram as boas-vindas à decisão do Conselho de Segurança.

"Nós, da autoridade de Puntland, decidimos apoiar essa resolução. E nós queremos que nossas forças de segurança cooperem com as forças da ONU, porque nós somos as maiores vítimas da pirataria", disse Abdulqadir Muse Yusuf, ministro-assistente da Pesca de Puntland, à Reuters.

(Reportagem adicional de Wangui Kanina em Nairóbi, Celestyne Achieng em Mombasa e Abdiqani Hassan em Bosasso)

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