Navio alemão participará de força-tarefa antipiratas na África

DEAUVILLE, França (Reuters) - A Alemanha pretende fornecer uma fragata para uma força-tarefa naval da União Européia (UE) encarregada de combater a pirataria na costa da África, afirmou na quarta-feira o ministro alemão da Defesa, Franz Josef Jung. Os países-membros da UE planejam estacionar três fragatas, um navio de abastecimento e três embarcações de vigilância marítima na área, disse o ministro. Desde a semana passada, piratas somalis mantêm sequestrado um navio ucraniano com material bélico, incluindo tanques de guerra.

Reuters |

"Acho que os alemães participarão com uma fragata", afirmou Jung a repórteres antes de tratar da questão com outros ministros da Defesa de países-membros da UE, em Deauville, na França.

Piratas fortemente armados capturaram mais de 30 embarcações na costa da Somália neste ano, fazendo dessas as águas mais perigosas do mundo atualmente.

"A pirataria aumentou de tal forma que, segundo creio, tornou-se necessário enviar para lá uma missão da UE a fim de enfrentar o problema com eficácia", disse o ministro alemão. "Não podemos aceitar essa situação. Devemos garantir a segurança dos mares e o livre comércio marítimo."

O ministro francês da Defesa, Hervé Morin, afirmou que tanto a Europa quanto a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) pretendem entrar em ação na área e que os dois blocos devem coordenar suas operações.

A maior parte dos ataques ocorreu no golfo de Áden, entre o Iêmen e o norte da Somália, uma importante rota naval para os carregamentos de petróleo vindos do Oriente Médio. Cerca de 20 mil embarcações trafegam por ali anualmente, entrando ou saindo do canal de Suez.

Neste momento, os piratas somalis mantêm sob seu poder 13 embarcações e mais de 200 marinheiros.

Grupos mundiais de transporte naval pediram no mês passado que as potências marítimas do globo adotem novas medidas de combate à pirataria.

Esses grupos, entre os quais a Câmara Internacional de Transporte Marítimo, a Intercargo e a Bimco, disseram estar "totalmente assombrados" com o fato de os governos não conseguirem garantir a segurança de uma das rotas navais mais utilizadas do mundo.

Caso continue a haver omissão, pode se repetir a crise verificada no começo da década de 1970, quando o canal de Suez ficou fechado e os navios mercantes foram obrigados a contornar o canal da Boa Esperança, no extremo sul da África, disseram.

A mudança de rota reverberou de forma drástica no comércio internacional, provocando, entre outras consequências, um aumento nos custos de transporte e na manutenção de estoques.

Alguns países mantêm forças-tarefa navais patrulhando a região, mas, com frequência, vêem-se impossibilitados de agir devido às regras que precisam observar.

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