Navio a serviço dos EUA faz disparos de aviso no golfo Pérsico

Por Kristin Roberts WASHINGTON (Reuters) - Um navio cargueiro contratado pelas Forças Armadas dos EUA realizou disparos de advertência contra barcos que se aproximavam dele no golfo Pérsico, afirmou a Marinha norte-americana nesta sexta-feira.

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O incidente aumenta a tensão na região, em um momento em que o Pentágono amplia suas ameaças contra o Irã.

Segundo oficiais das Forças Armadas dos EUA, o cargueiro Westward Venture, que viajava por águas internacionais a serviço dos militares norte-americanos, constatou a presença de duas embarcações pequenas que se aproximavam dele na quinta-feira.

Após essas embarcações não terem respondido a comunicações de rádio e a um disparo luminoso de aviso, a equipe de segurança do navio realizou 'alguns disparos' com uma metralhadora e deu tiros de advertência com fuzis, afirmou a comandante Lydia Robertson, porta-voz na Quinta Frota Naval dos EUA, baseada no Barein.

'As pequenas embarcações deixaram a área pouco depois', disse, por telefone.

A notícia ajudou a aumentar em mais de 3 dólares o preço do barril de petróleo, para 119,50 dólares -- chegando perto do recorde de 119,90 atingido nesta semana.

Autoridades da área de Defesa dos EUA, que falaram sob a condição de seus nomes não serem divulgados, disseram logo no começo suspeitar que as embarcações fossem iranianas. Mas uma outra porta-voz da Quinta Frota rejeitou tais especulações.

'Não podemos especular a respeito da identidade deles. Não sabemos isso. Não temos prova sobre isso', disse a tenente Stephanie Murdoch.

Em Teerã, um membro da Marinha iraniana negou a ocorrência de qualquer confrontação com um navio norte-americano no golfo Pérsico.

As relações entre os EUA e o Irã são tensas neste momento devido ao programa nuclear iraniano e a uma troca de acusações sobre o responsável pela violência no Iraque.

As declarações hostis e as aproximações entre navios ocorridas no golfo Pérsico alimentaram boatos de que os EUA estejam preparando uma ação militar contra os iranianos.

As acusações feitas por autoridades norte-americanas quanto ao envolvimento do Irã em ações de ameaça a embarcações dos EUA também contribuíram para aumentar as tensões.

Em janeiro, por exemplo, os EUA disseram que cinco barcos de alta velocidade do Irã aproximaram-se de forma agressiva de três navios da Marinha norte-americana no estreito de Ormuz, um importante ponto de passagem para os navios petroleiros que saem do Oriente Médio.

Mas, segundo o Irã, seus barcos tentavam simplesmente identificar as embarcações norte-americanas.

Em março, um outro navio contratado pelos militares norte-americanos realizou disparos de aviso quando cruzava o canal de Suez, atingindo uma pequena embarcação e matando um egípcio que estava a bordo.

O incidente mais recente ocorre no momento em que oficiais de alta patente dos EUA acusam o Irã de ampliar seu apoio a milícias iraquianas e advertem que as forças norte-americanas dispõem de opções militares para obrigar os iranianos a interromper tais ações.

Apesar de negarem haver planos de atacar o Irã, as autoridades norte-americanas não descartam totalmente a possibilidade do uso da força.

(Reportagem adicional de Andrew Gray em Washington e Mohammed Abbas em Manama)

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