Naufrágio no Amazonas é um dos mais graves da história do Brasil

Rio de Janeiro, 5 mai (EFE).- As equipes de resgate recuperaram hoje dois corpos do rio Amazonas, elevando para 17 o número de vítimas de um dos piores naufrágios fluviais da história do Brasil, com cerca 50 desaparecidos desde domingo.

EFE |

Os balanços de desaparecidos da Marinha e dos bombeiros diferem substancialmente e, já que a embarcação estava em situação irregular, não existe uma lista oficial de passageiros que sirva para corroborar as informações.

Os bombeiros afirmaram que ainda há 50 pessoas desaparecidas, e calculam que o navio transportava cerca de 110 jovens, que retornavam à localidade de Manacapuru após uma festa em uma localidade vizinha.

Um porta-voz da Marinha explicou à Agência Efe que cerca de 50 passageiros foram resgatados por lanchas que passavam pelo lugar, ou que nadaram até a margem do rio.

Segundo os cálculos da Marinha, na embarcação só viajavam por volta de 80 pessoas, e por isso a lista de desaparecidos não chegaria a 13 pessoas.

Além disso, "não há muita gente reivindicando a perda de familiares" em Manacapuru, segundo a mesma fonte.

A Marinha mantém três navios na região, para apoiar a equipe com aproximadamente 50 mergulhadores dos bombeiros que rastreiam nas profundas e lamacentas águas do Amazonas desde o ponto do acidente até Manaus, situada 50 milhas náuticas rio abaixo.

Nessa região, as águas do rio mais caudaloso do planeta seguem a uma velocidade de cerca de 10 km/h, e por isso poderiam ter arrastado as vítimas para muito longe do lugar do naufrágio, que foi causado pelo sobrepeso da embarcação, segundo os primeiros estudos.

O "Comandante Sales", um navio de madeira, tinha uma capacidade para 50 pessoas, mas poderia levar até mais que o dobro de passageiros, que em sua maioria eram jovens entre 16 e 21 anos, informaram os bombeiros.

Pelo excesso de peso, o navio se inclinou e foi a pique por volta das 5h45 da manhã de domingo.

A Marinha submergiu hoje o navio e constatou que não havia corpos em seu interior.

A embarcação, propriedade de Francisco Alves de Sales - falecido no naufrágio -, não estava registrada na Capitania de Portos, e por isso carecia de permissão para navegar.

Cerca de 26 mil navios estão inscritos na Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, que abrange desde a fronteira com a Colômbia e o Peru até Manaus, e outros 5 mil circulam clandestinamente e sem passar pelas revisões de segurança necessárias.

Em muitos casos, como as autoridades acham que ocorreu nesta ocasião, são ultrapassados por muito os limites de capacidade dos pequenos botes de madeira que são o principal meio de transporte entre as margens deste gigantesco rio, nos quais viajam cinco milhões de pessoas por mês, segundo dados oficiais.

A navegação é a única alternativa de transporte pelas dificuldades de construir estradas na frondosa floresta tropical, que, além disso, costuma ser inundada na época de chuvas.

Os acidentes deste tipo se tornaram comuns nos últimos anos. Só no ano passado foram registradas 123 mortes em acidentes de barcos nas águas brasileiras.

No final de fevereiro foi registrado outro grave acidente a cerca de 150 quilômetros rio abaixo. Um navio de passageiros se chocou com uma barcaça para o transporte de mercadorias pesadas e foi a pique, em um caso com que causou 16 mortes, indicou a Polícia.

Em novembro de 1999, um navio com capacidade para 150 pessoas e com 300 a bordo afundou no rio Madeira, afluente do Amazonas, deixando aproximadamente 50 mortos. EFE mp/bm/gs

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